As sete igrejas do Apocalipse ficavam em sete cidades reais da antiga província romana da Ásia, que hoje é o oeste da Turquia: Éfeso (ruínas perto de Selçuk), Esmirna (a cidade de Izmir), Pérgamo (Bergama), Tiatira (Akhisar), Sardes (ruínas em Sart), Filadélfia (Alaşehir) e Laodiceia (ruínas perto de Denizli). Esmirna é a única que continua sendo uma cidade grande. Das outras restaram ruínas ou cidades pequenas construídas por cima.
Quando Jesus manda João escrever “às sete igrejas”, Ele dá nome e endereço: “Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia” (Apocalipse 1:11). Não são cidades simbólicas. Elas existiram, tinham ruas, mercado, templos e problemas próprios. E quase dois mil anos depois, dá para ir até cada uma delas. Veja onde ficavam e o que restou.
Onde ficavam: um caminho em círculo
As sete cidades ficavam na província romana da Ásia, que não é o continente asiático de hoje: é a parte oeste da atual Turquia, de frente para o mar Egeu. A ilha de Patmos, onde João recebeu a visão, fica no mar, a sudoeste de Éfeso. E William Ramsay (1904) propôs que a ordem das cartas segue uma estrada circular: quem saísse de Éfeso passaria por Esmirna, subiria até Pérgamo e desceria por Tiatira, Sardes e Filadélfia até Laodiceia. Ele mesmo chama essa ideia de hipótese. Leia mais sobre esse mapa.
1. Éfeso: o porto que virou ruína longe do mar
Éfeso era, segundo o geógrafo Estrabão, o maior centro de comércio da Ásia (Geografia 14.1.24), com um grande porto e o templo de Ártemis, contado entre as sete maravilhas do mundo antigo. Hoje é um dos sítios arqueológicos mais visitados da Turquia, ao lado da cidade de Selçuk, na província de Izmir. Dá para andar pelas ruas de mármore, ver o grande teatro (o mesmo do tumulto contado em Atos 19) e a fachada da Biblioteca de Celso, construída pouco depois da época do Apocalipse. O porto não existe mais: o rio foi enchendo a baía de terra, e o mar hoje fica a quilômetros das ruínas. Do templo de Ártemis sobrou praticamente uma coluna. Carta a Éfeso.
2. Esmirna: a única que continua viva
Esmirna é hoje Izmir, a terceira maior cidade da Turquia, com milhões de habitantes. Como a cidade moderna foi construída por cima da antiga, sobrou pouco à vista: a principal ruína é a ágora romana, a praça do mercado. Há uma ironia bonita aqui. Jesus se apresentou a Esmirna como “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver” (2:8), e a cidade, que já tinha sido destruída e reconstruída no passado, é a única das sete que nunca deixou de ser uma cidade grande. Em Izmir existe hoje uma igreja dedicada a Policarpo, o bispo de Esmirna martirizado no século II. Carta a Esmirna.
3. Pérgamo: a cidade no alto do morro
Pérgamo é hoje Bergama, uma cidade pequena na província de Izmir. A acrópole antiga continua lá em cima do morro, com um teatro muito inclinado, cavado na encosta e as ruínas de templos. Embaixo fica o Asclépio, o centro de cura dedicado ao deus Asclépio. E o grande altar de Zeus, que uma das explicações propostas liga ao “trono de Satanás” de Apocalipse 2:13, não está mais lá: foi escavado no século XIX e levado para Berlim, onde está num museu. No morro restou só a base. Onde ficava o trono de Satanás?
4. Tiatira: a cidade dos ofícios que quase desapareceu
Tiatira é hoje Akhisar, na província de Manisa. Era uma cidade de comércio e de associações de ofício (tintureiros, ferreiros, oleiros), o pano de fundo da carta e da figura de Jezabel. É a cidade com menos coisa para ver: um pequeno sítio arqueológico no centro de Akhisar, com restos de colunas e de uma igreja de época posterior. O lugar exato onde a primeira igreja se reunia não foi identificado. Carta a Tiatira.
5. Sardes: a cidade que caiu porque não vigiou
Sardes, a antiga capital do rei Creso, hoje é um sítio arqueológico junto à vila de Sart, na província de Manisa. Dá para ver o grande templo de Ártemis, com colunas enormes ainda de pé, um ginásio romano restaurado e uma das maiores sinagogas antigas já encontradas. O morro da acrópole continua lá, o morro que os moradores achavam impossível de escalar e por onde Ciro tomou a cidadela; séculos depois, Antíoco III tomou a cidade por outro trecho sem vigia. A história inteira de Sardes.
6. Filadélfia: os pilares da igreja de São João
Filadélfia é hoje Alaşehir, também na província de Manisa. Era a cidade dos terremotos: Estrabão conta que as paredes viviam rachando. No meio da cidade moderna estão os restos mais conhecidos: os grandes pilares de tijolo de uma basílica dedicada a São João, construída séculos depois do Apocalipse. Para uma igreja que recebeu a promessa de ser “coluna no santuário do meu Deus” (3:12), as colunas que restaram contam uma história própria. Carta a Filadélfia.
7. Laodiceia: a cidade que está sendo desenterrada
Laodiceia fica perto da cidade de Denizli, a poucos quilômetros de Hierápolis e das piscinas brancas de Pamukkale. Por muito tempo foi um campo de ruínas pouco escavado, mas as escavações das últimas décadas revelaram ruas com colunas, teatros, fontes, os canos de pedra do sistema de água (que alguns estudiosos, desde Rudwick e Green, ligam à água morna da carta) e uma igreja antiga com mosaicos. A carta a Laodiceia já está sendo estudada no versículo a versículo do Entre Revelações: comece por Apocalipse 3:14.
Uma honestidade sobre as ruínas
Quase tudo o que se vê hoje nessas cidades é de outras épocas. Templos e teatros às vezes são mais antigos que a igreja; basílicas, como as de Filadélfia e Tiatira, são bem mais novas. Nenhuma ruína é “a igreja do Apocalipse”: os primeiros cristãos se reuniam em casas. O que as ruínas mostram é o mundo onde aquelas igrejas viviam, e isso ajuda muito a entender as cartas.
O que isso muda na leitura
Saber que as sete igrejas eram reais tira o Apocalipse do campo da fantasia. Jesus falou com gente de verdade, numa cidade de verdade, sobre problemas de verdade: a pressão do comércio em Tiatira, a pobreza de Esmirna, a fama de Sardes. E a frase que aparece em cada carta, “o que o Espírito diz às igrejas”, faz a ponte até hoje: a carta tinha endereço, mas a mensagem continua chegando.
Perguntas frequentes
Onde ficavam as sete igrejas do Apocalipse?
Na antiga província romana da Ásia, que hoje é o oeste da Turquia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (Apocalipse 1:11).
Quais são os nomes atuais das sete igrejas?
Éfeso: ruínas perto de Selçuk. Esmirna: Izmir. Pérgamo: Bergama. Tiatira: Akhisar. Sardes: ruínas junto à vila de Sart. Filadélfia: Alaşehir. Laodiceia: ruínas perto de Denizli.
Alguma das sete cidades ainda existe?
Esmirna, hoje Izmir, é uma das maiores cidades da Turquia. Bergama, Akhisar e Alaşehir são cidades pequenas construídas sobre as antigas. Éfeso, Sardes e Laodiceia são sítios arqueológicos.
Por que as cartas estão nessa ordem?
O texto não explica. William Ramsay (1904) propôs que seguem um caminho circular pelas estradas romanas: começando em Éfeso, perto de Patmos, passando por Esmirna, subindo até Pérgamo e descendo por Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia, a rota de quem levaria as cartas. Ele mesmo chama essa ideia de hipótese.
As ruínas que se vê hoje são das igrejas do Apocalipse?
Não. Os primeiros cristãos se reuniam em casas. As basílicas que se vê em Filadélfia ou Tiatira são de séculos depois. As ruínas mostram o mundo em que aquelas igrejas viviam.
Onde está o altar de Zeus de Pérgamo?
Foi escavado no século XIX e levado para Berlim, onde está num museu. No morro de Pérgamo, em Bergama, sobrou a base. Uma das explicações propostas liga esse altar ao “trono de Satanás” de Apocalipse 2:13; outras apontam a cidade cheia de cultos ou o culto ao imperador. A Bíblia não identifica o trono com nenhuma construção.
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