Alfa e Ômega são a primeira e a última letras do alfabeto grego, a língua em que o Apocalipse foi escrito. Quando Deus diz "Eu sou o Alfa e o Ômega", é como dizer "eu sou do A ao Z": o começo e o fim de tudo. Muitos leem também um sentido a mais: tudo o que fica no meio, assim como todas as letras cabem entre a primeira e a última. Deus já existia antes de tudo começar e continua depois de tudo terminar. Mais adiante no livro, Jesus usa esse mesmo título para si.
No versículo anterior, João anunciou a volta de Jesus: todo olho vai vê-lo, até os que o traspassaram (veja Apocalipse 1:7). Depois de tanta coisa dita sobre Deus, o texto chega a um momento único. Pela primeira vez no livro inteiro, Deus fala em primeira pessoa. Não é João descrevendo. É a própria voz de Deus entrando no texto.
"Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso." (Apocalipse 1:8, ARA)
O que significa Alfa e Ômega
Comece pelo mais simples. Alfa e ômega são letras. O alfabeto grego começa com a letra alfa (Α) e termina com a letra ômega (Ω). É como o nosso A e o nosso Z.
Então Deus está dizendo "eu sou o A e o Z"? Isso mesmo. É um jeito de dizer: eu sou o começo e o fim de tudo. Deus já existia antes de qualquer coisa começar. E vai continuar existindo depois que tudo terminar.
Muitos leem aqui um detalhe a mais. Pense em quantas coisas cabem entre o A e o Z: todas as letras e, com elas, todas as palavras de todos os livros. Do mesmo jeito, entre o começo e o fim cabe tudo o que existe: todo o passado, todo o presente e todo o futuro. Inclusive a sua história inteira.
Por isso o título não é só sobre as duas pontas. É sobre o caminho todo. A história tem dono, tem direção e tem alguém segurando a primeira e a última página.
Esse nome é novidade?
Não. Séculos antes, o livro do profeta Isaías já tinha registrado Deus dizendo: "Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus" (Isaías 44:6). Em Isaías 48:12, Deus se apresenta de novo como o primeiro e o último. Isaías viveu uns 700 anos antes de Cristo. Outra leitura, que este artigo não discute, põe os capítulos 40 a 55 mais tarde, perto do fim do exílio na Babilônia.
No Apocalipse, a mesma verdade aparece com as letras do alfabeto grego, a língua que as igrejas falavam. A forma mudou. A verdade é a mesma que Deus já tinha revelado há séculos.
"Diz o Senhor Deus"
Esta frase pequena é enorme. Os profetas do Antigo Testamento apresentavam as palavras de Deus assim: "diz o Senhor", "assim diz o Senhor Deus".
João usa a mesma fórmula para deixar claro que o que vem a seguir não é opinião de um homem exilado numa ilha. É Deus falando.
"Aquele que é, e que era, e que há de vir"
Volte ao versículo 4. A saudação veio "da parte daquele que é, que era e que há de vir" (veja Apocalipse 1:4). Agora você lê essa mesma frase de novo. Só que desta vez ela não está sendo descrita por João. Está sendo dita pelo próprio Deus.
Antes dava para pensar: "é assim que João descreve Deus". Agora não há dúvida: é assim que Deus descreve a si mesmo.
É como se os oito primeiros versículos formassem um círculo. Começam com o Deus que é, que era e que há de vir, e terminam com esse mesmo Deus confirmando, com a própria voz, tudo o que foi dito.
"O Todo-Poderoso"
"Todo-Poderoso" traduz a palavra grega Pantokrátôr. Ela junta "tudo" com "poder que governa". Quer dizer: aquele que segura tudo nas mãos.
Lembra da palavra "domínio" no louvor do versículo 6, "a ele glória e domínio"? Ela está dentro deste título. O domínio que louvamos é o domínio que Deus de fato tem.
Essa palavra aparece dez vezes no Novo Testamento: nove no Apocalipse (1:8; 4:8; 11:17; 15:3; 16:7; 16:14; 19:6; 19:15; 21:22) e uma em 2 Coríntios 6:18. E no Apocalipse ela surge sempre em cenas de adoração ou de vitória final de Deus sobre o mal, como em 4:8, 11:17 e 19:6. Por mais que as coisas pareçam fora de controle nos capítulos seguintes, Deus continua sendo aquele que segura tudo.
A palavra também tem história. Na tradução grega do Antigo Testamento que as igrejas usavam, ela foi escolhida para traduzir "Senhor dos Exércitos". Quem conhecia as Escrituras ouvia, por trás dela, séculos de história de um Deus que nunca perdeu uma batalha.
Um título maior que o do imperador
Dá para notar aqui um contraste, que o texto não faz, mas que ajuda a ouvir a frase como as igrejas ouviam. O imperador romano carregava, em grego, o título de Autokrátôr: "o que governa por si mesmo". Era a palavra grega usada para o título latino imperator.
Deus se apresenta com um título maior: "o que governa tudo". Um governava um império, por algumas décadas. O outro governa tudo o que existe, para sempre. Para igrejas pressionadas por um império que se via como o maior poder do mundo, o recado, nessa leitura, era claro: existe um só dono verdadeiro do tempo e do poder, e não é Roma.
Jesus usa o mesmo título
Guarde este versículo, porque o título volta perto do fim do livro: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim" (Apocalipse 21:6). E em Apocalipse 22:13, já na última cena, é Jesus quem toma esse título para si.
Isso não é exagero de linguagem. O título que Deus usa para si mesmo aqui é o título que Jesus vai usar para si mesmo lá no fim. É uma das provas mais fortes, no Apocalipse, de que Jesus é plenamente Deus, com a mesma eternidade do Pai.
O que este artigo não está dizendo
"Princípio e fim" não quer dizer que Deus teve um começo ou que um dia vai acabar. É o contrário: Ele já estava lá antes de tudo começar e continua depois de tudo terminar. O começo e o fim são da história, e os dois estão nas mãos dele.
E dizer que Deus segura toda a história não quer dizer que tudo o que acontece seja bom. O Apocalipse vai mostrar muita dor e muito mal. O que o título garante é outra coisa: nada disso escapa das mãos dele, e a última palavra é dele.
O que este versículo mostra sobre Jesus
Mesmo falando de Deus, este versículo aponta para Jesus, porque é exatamente este título que Jesus vai assumir mais adiante. O Deus que fala aqui e o Jesus que conhecemos são o mesmo Senhor eterno.
Mostra também que Jesus não é só parte da história. É dono dela inteira, do Alfa ao Ômega. Nada no meu passado ficou fora do alcance dele, e nada no meu futuro vai escapar.
E mostra um Jesus que merece confiança total. Cada capítulo difícil que ainda vamos encontrar no Apocalipse está debaixo das mãos de quem é o princípio e o fim de tudo.
O que isso muda hoje
Pense no seu passado, o que já aconteceu, e no seu futuro, o que você ainda não sabe. Entregue os dois a Deus pelo nome: "Senhor, tu já estavas no meu começo e já estás no meu fim. Eu confio os dois a ti."
Da próxima vez que alguma coisa parecer maior do que você dá conta, comece a oração chamando Deus pelo nome que Ele mesmo escolheu aqui: Todo-Poderoso.
E leia Apocalipse 1:1-8 de uma vez, sem parar. Repare quantas vezes o texto fala de Jesus e de bênção. O livro que muita gente acha assustador começa com adoração, não com medo. Daqui, a carta muda de tom, e João fala de si como irmão que sofre junto: Apocalipse 1:9.
Perguntas frequentes
O que significa Alfa e Ômega?
Alfa e Ômega são a primeira e a última letras do alfabeto grego. Quando Deus diz que é o Alfa e o Ômega, está dizendo que é o começo e o fim de tudo, como dizer do A ao Z. Muitos leem também tudo o que existe no meio.
Quem diz Eu sou o Alfa e o Ômega em Apocalipse 1:8?
É o Senhor Deus falando em primeira pessoa, pela primeira vez no livro. Mais adiante, em Apocalipse 22:13, Jesus toma o mesmo título para si.
Jesus é o Alfa e o Ômega?
Sim. Em Apocalipse 22:13 Jesus se apresenta com esse título. O mesmo título que Deus usa para si em 1:8 é usado por Jesus, uma forte indicação de que Ele é plenamente Deus.
O que significa Todo-Poderoso em Apocalipse 1:8?
Traduz a palavra grega Pantokrátôr, aquele que segura tudo nas mãos. Das dez vezes que aparece no Novo Testamento, nove estão no Apocalipse.
Onde Alfa e Ômega aparece na Bíblia?
Em Apocalipse 1:8, 21:6 e 22:13. A mesma ideia aparece em Isaías 44:6, onde Deus diz que é o primeiro e o último.
Por que Deus se apresenta com letras do alfabeto?
Porque o Apocalipse foi escrito em grego, e começar e terminar o alfabeto era um jeito simples de dizer que tudo, do começo ao fim, cabe dentro dele.
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