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Caderno de Estudos · Estudo nº 055 · 404 versículos em 404 dias

Estudo de Apocalipse 3:6: caderno completo e PDF grátis

Leia primeiro. Assista depois. Guarde para sempre.

✦Onde paramos

No versículo 5, a carta a Sardes entregou as suas três promessas ao vencedor: a roupa branca, o nome que não é apagado do Livro da Vida e Jesus dizendo esse nome diante do Pai. Vimos que a carta inteira é uma carta sobre nome: começa com a fama que a cidade dava e termina com o nome que Jesus fala no céu.

A frase com que ficamos foi esta: o nome que importa não é o que dizem de você; é o que Jesus diz de você diante do Pai. Hoje, no versículo 6, a carta termina. E este caderno faz uma coisa diferente dos anteriores: conta a história inteira de Sardes, da cidade e da igreja, de um jeito que dê para lembrar e para contar a outra pessoa.

✦Como usar este caderno

Este caderno é para todo mundo, inclusive para quem nunca estudou o Apocalipse. Ore antes de começar. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Depois leia a carta inteira, Apocalipse 3:1 a 3:6, porque hoje o estudo olha para ela de uma vez só. Sublinhe e escreva nas margens: este caderno é seu. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração.

✦Oração de abertura

Senhor, eu já escutei muita coisa Tua e continuei deitado. Hoje eu não quero só entender a história de Sardes. Quero que ela me acorde. Mostra onde eu vivo de fama, mostra a brasa que ainda está acesa, e me dá ouvidos para ouvir o que o Teu Espírito diz às igrejas. Em nome de Jesus, amém.

✦O versículo de hoje

Apocalipse 3:6
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Esta frase fecha as sete cartas, todas. Aqui é a quinta vez que ela aparece, e ela já foi estudada com calma no estudo 49, em Apocalipse 2:29, onde a frase é exatamente a mesma. Por isso este caderno só lembra o principal e gasta o resto das páginas na história que a frase fecha.

✦Uma palavra que vale a pena ver no original

ἀκουσάτω (akousátō, Strong G191) é “ouça”. Está no imperativo: não é descrição, é ordem. E o verbo, na Bíblia, quase nunca quer dizer só captar o som. Quer dizer receber, dar atenção, levar a sério. Todo mundo em Sardes escutou a carta sendo lida. A pergunta de Jesus é se alguém ia ouvir.

✦1. O que a frase está dizendo, em resumo

Três coisas, que o estudo 49 explicou em detalhe. Primeira: Jesus não está falando de escutar o som. Todo mundo ali escutava. Ele está falando de receber, de não deixar a palavra passar. Segunda: a carta inteira é Jesus falando (“eu conheço”, “eu virei”, “confessarei”), e o que Jesus falou é o que o Espírito faz as igrejas ouvirem. Não são duas mensagens; é uma só, com o alcance aberto. Terceira: “às igrejas”, no plural. A carta foi para Sardes, mas chegou às outras seis. E chegou até nós.

Então, para entender o peso dessa frase no fim desta carta em especial, é preciso saber o que ela está fechando. É preciso conhecer a história de Sardes, porque o que aconteceu com a cidade estava acontecendo com a igreja.

✦2. Sardes, a cidade de Creso

Sardes ficava onde hoje é a Turquia, no vale do rio Hermo. Muito antes de Jesus nascer, foi a capital de um reino muito rico, a Lídia. O rei mais famoso se chamava Creso, e a fama da riqueza dele foi tão grande que atravessou os séculos: até hoje se diz “rico como Creso”. A parte alta da cidade, a acrópole, ficava no alto de um morro com paredões de pedra em quase todos os lados. Todo mundo achava: aqui ninguém entra. Heródoto conta que um dos lados nem era vigiado, de tão íngreme (Histórias 1.84).

E essa confiança não era conversa de orgulho. Olhando o morro, a conclusão parecia certa. O problema é que uma cidade que se acha inexpugnável para de vigiar justamente o lado que parece impossível.

✦3. O capacete que caiu do paredão

Por volta de 547 a.C., um rei da Pérsia chamado Ciro cercou a cidade. O historiador grego Heródoto, que escreveu mais de cem anos depois, por volta de 430 a.C., conta o que aconteceu. Depois de dias de cerco sem resultado, um soldado de Sardes estava em cima do paredão e deixou o capacete cair lá embaixo. Ele desceu pelas pedras, pegou o capacete e subiu de volta. Só que um soldado persa, chamado Hireades, estava olhando, e pensou: se ele desce e sobe por ali, a gente também sobe.

Eles subiram por ali. Não havia ninguém vigiando aquele lado, porque todos achavam que por ali era impossível subir (Heródoto, Histórias 1.84). Heródoto não diz se foi de dia ou de noite. Xenofonte, que escreveu algumas décadas depois dele, conta que Ciro mandou os soldados subirem durante a noite (Ciropédia 7.2.3). O certo é isto: a cidade onde ninguém entrava caiu pelo lado que ninguém vigiava.

✦4. Trezentos anos depois, de novo

O mais impressionante é que uns trezentos anos depois a cidade caiu de novo. Outro rei, Antíoco III, outro exército, a mesma cidade. O historiador Políbio conta que, no cerco de Antíoco III, por volta de 214 a.C., um soldado cretense chamado Lágoras percebeu que uma parte da muralha ficava sem vigia, porque era difícil de alcançar (Histórias 7.15-18). Políbio conta também que o ataque foi marcado para uma noite sem lua, e que os soldados subiram quando a guarda daquele ponto se retirava, já perto do amanhecer (Histórias 7.16-17). Por um ponto sem vigia a cidade caiu de novo; a cidadela no alto ainda resistiu e só se rendeu depois, por traição (Histórias 8.15-21).

Guarde esta imagem: uma cidade com fama de forte, que caiu duas vezes porque não vigiou.

✦ O que é texto bíblico e o que é história

As duas quedas de Sardes não estão no Apocalipse. São registros de Heródoto (Histórias, livro 1), de Xenofonte (Ciropédia, livro 7) e de Políbio (Histórias, livro 7). O que o Apocalipse traz são as palavras de Jesus: “sê vigilante”, “se não vigiares, virei como ladrão”, “em que hora”.

O que se pode dizer com segurança é que, para quem morava em Sardes, essas palavras tinham endereço. A história da cidade era conhecida, e a carta usa a linguagem que aquela gente entendia melhor do que ninguém.

✦5. A igreja que tinha fama de viva

Agora a história dá um salto. Séculos depois, dentro dessa mesma cidade, existe uma igreja. E essa igreja também tem fama. Quem olha de fora diz: essa igreja está viva. Então chega a carta de Jesus. Ele se apresenta como “aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (3:1), o Espírito de Deus por inteiro, sem faltar nada, e as igrejas na mão. E diz: “conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”.

Nome, aqui, é fama. E morte não é a morte do corpo. Aquelas pessoas estavam respirando, estavam se reunindo. O que tinha parado era a vida com Deus. Olhe a história se repetindo: a cidade tinha fama de forte e não vigiava; a igreja tinha fama de viva e dormia.

✦6. Jesus acorda a igreja

E o que Jesus faz? Ele não vai embora. Ele faz o que ninguém fez por aquela cidade naquelas duas quedas: Ele avisa. “Sê vigilante”, ou seja, acorda. E depois: “consolida o resto que estava para morrer” (3:2). Consolidar é firmar, fortalecer. É como uma fogueira que apagou, mas ainda tem uma brasa embaixo da cinza. Jesus diz: cuida dessa brasa, não deixa apagar.

E Ele explica o motivo: “não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”. Diante das pessoas, tudo certo. Diante de Deus, faltando. A fama era completa; a obra, pela metade.

✦7. Lembra, guarda, volta

Depois vem o caminho de volta, em 3:3: “lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”. Lembra do que você já recebeu. Guarda, que é colocar em prática. Arrepende-te, que é mudar por dentro e voltar.

Repare numa palavra desse versículo: “ouvido”. Sardes já tinha ouvido. Ela não precisava de uma mensagem nova; precisava voltar para o que já tinha recebido. E é aí que a última frase da carta ganha peso: “quem tem ouvidos, ouça” é dito a uma igreja que já ouviu uma vez e deixou passar.

✦8. Como um ladrão, de noite

E Jesus termina o aviso com a imagem que aquela cidade conhecia melhor do que ninguém. Se a igreja não acordasse, Ele viria tratar com ela como um ladrão, numa hora que ela não esperava. Sem vigia. Igual à história da cidade. Duas vezes Sardes caiu pelo lado que ninguém olhava. Jesus pega essa memória e aponta para a igreja: não deixe acontecer com vocês o que aconteceu com a cidade.

✦9. Os poucos que estavam acordados

Mas essa história tem uma parte bonita. No meio da igreja que dormia, havia umas poucas pessoas acordadas. Jesus diz que elas não tinham sujado as suas roupas (3:4). Eram poucas, e Ele viu cada uma. Para elas, a promessa: “andarão de branco junto comigo”.

E para o vencedor, que é quem não troca Jesus por nada até o fim, três presentes (3:5): roupa branca; um nome que nunca será apagado do Livro da Vida, que é o registro dos que pertencem a Deus; e Jesus falando esse nome diante do Pai e dos anjos. É aqui que a história fecha. Ela começa com um nome, a fama que as pessoas davam, e termina com um nome, o nome que Jesus fala diante do Pai.

✦10. Ouvir de verdade é levantar

Agora a última frase faz mais sentido. “Quem tem ouvidos, ouça.” Naquelas duas quedas, ninguém avisou a cidade. A igreja foi avisada. Jesus mesmo avisou. A pergunta é só uma: ela vai ouvir?

Porque ouvir, aqui, é como o filho que a mãe chama de manhã: “filho, levanta”. Ele responde “já ouvi” e continua deitado. Ouviu o som. Mas ouvir de verdade é levantar. E a frase diz “quem”: uma pessoa. A carta foi para a igreja inteira, mas a resposta é de cada um. Como aqueles poucos de Sardes: a igreja dormia, e eles ouviram.

Ouvir o som é dizer “já ouvi” e continuar deitado. Ouvir de verdade é levantar.

✦11. Para você contar a história de Sardes

Se alguém perguntar o que é a carta a Sardes, conte assim. Era uma cidade com fama de forte, que caiu duas vezes porque não vigiou. Dentro dela, uma igreja com fama de viva, que também dormia. Jesus escreveu para acordar essa igreja: acorda; cuida da brasa que ainda está acesa; lembra do que você já ouviu e volta. Uns poucos estavam acordados, e o nome deles Jesus fala diante do Pai. E a carta termina com a palavra “ouça”.

✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?

Jesus vê por baixo da fama. A cidade enganava os inimigos e a igreja enganava quem olhava de fora. Jesus não se enganou.

Jesus avisa antes. Ele não deixa a igreja dormindo sem chamar. Ladrão de verdade não manda carta; Jesus mandou.

Jesus conhece pelo nome cada um que continua acordado, mesmo que sejam poucos. Numa igreja inteira que dormia, Ele viu os que não dormiram.

✦Aplicação para a minha vida

Sardes faz três perguntas. Em que parte da minha vida com Deus eu estou vivendo só de fama, do que os outros acham que eu sou? Qual é a brasa que ainda está acesa e eu preciso cuidar antes que apague? E o que eu já ouvi de Deus e deixei passar, e preciso voltar a fazer? A resposta a essas perguntas é o que separa “já ouvi” de levantar.

✦Resumo do estudo

  1. “Quem tem ouvidos, ouça” fecha as sete cartas; em Sardes é a quinta vez. Ouvir não é escutar o som: é receber e levar a sério. O que Jesus disse é o que o Espírito diz às igrejas, no plural.
  2. Sardes, a cidade de Creso, ficava num morro que todos achavam inexpugnável. Caiu para Ciro (Heródoto: o soldado que desceu atrás do capacete) e, uns trezentos anos depois, de novo para Antíoco III (Políbio). As duas vezes pelo lado que ninguém vigiava.
  3. A igreja repetiu a cidade: fama de viva, mas dormindo. “Tens nome de que vives e estás morto.”
  4. Jesus não foi embora: avisou. Acorda, cuida da brasa, lembra do que já ouviu, guarda e volta. Se não, virei como ladrão, igual à história da cidade.
  5. Uns poucos estavam acordados. Para eles, andar de branco com Jesus, o nome no Livro da Vida e o nome dito diante do Pai.
  6. Ouvir de verdade é levantar. A carta foi para a igreja; a resposta é de cada um.

✦Versículos para ler junto

A carta inteira, de uma vez: Apocalipse 3:1-6. Leia em voz alta, sabendo a história da cidade.

A frase que fecha as sete cartas: Apocalipse 2:7 · 2:11 · 2:17 · 2:29 · 3:6 · 3:13 · 3:22. E a origem nos Evangelhos: Marcos 4:9 · Mateus 11:15 · Lucas 8:8.

Vigiar e o ladrão de noite: Mateus 24:42-44 · Lucas 12:39-40 · 1 Tessalonicenses 5:2-6 · 2 Pedro 3:10 · Apocalipse 16:15.

Ouvir que vira fazer: Tiago 1:22-25 · Mateus 7:24-27 · Lucas 11:28. Para ver que, na Bíblia, ouvir sem fazer não conta como ouvir.

O Espírito diz o que Jesus disse: João 16:13-14 · Apocalipse 2:29.

✦Fontes e referências deste estudo

O texto bíblico em português é a Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferido versículo por versículo. O texto grego do Novo Testamento foi conferido nas edições Nestle-Aland e SBLGNT, com a numeração de Strong (akoúō, G191).

A queda de Sardes para Ciro é narrada por Heródoto (Histórias, livro 1, 84), e a queda para Antíoco III por Políbio (Histórias, livro 7, 15-18). A relação entre essas quedas e a linguagem da carta é apontada por comentaristas como William Ramsay (The Letters to the Seven Churches), Colin Hemer (The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting), G. K. Beale (The Book of Revelation) e Grant Osborne (Revelation). O que é registro histórico está indicado como tal; o que é texto bíblico está citado.

✦Para refletir

1. Em que parte da minha vida com Deus eu estou vivendo só de fama?

2. Qual é a brasa que ainda está acesa e eu preciso cuidar?

3. O que eu já ouvi de Deus e deixei passar? O que vou fazer com isso esta semana?

✦Minhas anotações

✦Minha oração

✦No próximo estudo

Começa uma carta nova, para Filadélfia, a cidade dos terremotos. Jesus se apresenta ali como “o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi”. Davi viveu quase mil anos antes. Por que Jesus diz que tem a chave dele? O que essa chave abre? E que porta é essa que Ele abre e ninguém consegue fechar? É isso que o próximo estudo investiga, em Apocalipse 3:7.

Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.

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Continue lendo. Continue perguntando.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
@entrerevelacoes · entrerevelacoes.com.br

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