✦Onde paramos
No versículo 16, Jesus disse a Laodiceia: “estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. Vimos que a palavra “vomitar” aparece uma única vez em todo o Novo Testamento, que a imagem, segundo Rudwick, Green e outros depois deles, vinha da água que, para eles, chegava morna, e que o verbo é de iminência: “estou a ponto de”. É aviso, e a mesma carta diz que Jesus corrige “a quantos amo” (3:19).
A frase com que ficamos foi esta: o morno do versículo 16 não é alguém que Jesus já jogou fora; é alguém que Jesus ainda está chamando. Hoje, no versículo 17, Jesus explica o motivo do diagnóstico. E faz isso repetindo, palavra por palavra, o que aquela igreja dizia de si mesma.
✦Como usar este caderno
Este caderno é para todo mundo, inclusive para quem nunca estudou o Apocalipse. Ore antes de começar. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Hoje o estudo passa por Oseias 12, Romanos 7 e pela carta a Esmirna (Apocalipse 2:9), então tenha a Bíblia aberta. Você vai encontrar duas palavras em grego, cada uma com a pronúncia aproximada, o número Strong e a explicação em português. Sublinhe e escreva nas margens: este caderno é seu. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração.
✦Oração de abertura
Senhor Jesus, eu me olho no espelho e acho que sei quem eu sou. Hoje eu Te peço o Teu olhar, e não o meu. Mostra o que eu não vejo, mesmo que doa, e não me deixa confortável onde eu preciso de Ti. Em Teu nome, amém.
✦O versículo de hoje
✦Duas palavras que valem a pena ver no original
ταλαίπωρος (talaípōros, pronúncia aproximada “ta-LÁI-po-ros”, Strong G5005) é a palavra que a ARA traduz por “infeliz”. Descreve alguém desgastado por um sofrimento que não passa, alguém em estado de miséria. O Novo Testamento a usa só duas vezes: aqui e em Romanos 7:24.
πτωχός (ptōchós, “pto-RÓS”, G4434) é “pobre”. Mas não qualquer pobre. É o pobre que não tem nada e vive de pedir: o mendigo.
✦ Apocalipse 3:17 no original
ὅτι λέγεις ὅτι πλούσιός εἰμι καὶ πεπλούτηκα καὶ οὐδὲν χρείαν ἔχω, καὶ οὐκ οἶδας ὅτι σὺ εἶ ὁ ταλαίπωρος καὶ ἐλεεινὸς καὶ πτωχὸς καὶ τυφλὸς καὶ γυμνός,
Novo Testamento Grego (Nestle-Aland 28 / SBLGNT). As palavras “e nem sabes” são, no original, apenas três: “e não sabes”.
✦1. “Pois dizes”: Jesus cita a própria igreja
O versículo começa com “pois”, e essa palavra liga o 17 ao 16. É a explicação do morno. Logo depois vem “dizes”. Jesus não descreve Laodiceia com palavras dEle; primeiro repete o que a igreja dizia de si mesma. São três afirmações: “estou rico”, estou abastado e “não preciso de coisa alguma”.
As duas primeiras parecem repetir a mesma coisa, mas não repetem. “Rico” é o estado: eu tenho. “Abastado” é quem tem bens de sobra, e no original o verbo está num tempo que fala de algo conquistado no passado e que continua valendo: fiquei rico e continuo rico. A terceira afirmação é a conclusão das outras duas, e é a que importa: se eu tenho, e tenho de sobra, então não preciso. Era uma igreja que se olhava no espelho e gostava do que via.
✦2. Uma cidade rica de verdade
Para Swete (1906), seguindo Lightfoot, essa maneira de falar não nasceu na igreja: era a língua da cidade. Laodiceia ficava num cruzamento de estradas por onde passava o comércio da região. Tinha cambistas, gente que vivia de trocar dinheiro (Cícero conta que pretendia trocar ali as suas letras de crédito, Cartas aos Familiares 3.5.4). E tinha uma lã preta e macia, que rendia muito à cidade (Estrabão, Geografia 12.8.16). Era uma cidade que tinha de onde tirar.
No ano 60 depois de Cristo, um terremoto a derrubou. Em outros terremotos, Roma tinha ajudado cidades da região, como Sardes no ano 17 (Tácito, Anais 2.47), e a própria Laodiceia no tempo de Augusto (Estrabão, Geografia 12.8.18). Desta vez, o historiador romano Tácito registra que Laodiceia se reergueu com os próprios recursos, sem ajuda de Roma (Anais, livro 14, capítulo 27). Para o comentarista H. B. Swete (1906), seguindo Lightfoot, a frase que a cidade podia dizer de si mesma era essa: a gente não precisa de ninguém. Para Swete, a igreja que vivia dentro dela passou a dizer o mesmo, com uma diferença terrível: “não preciso de coisa alguma”, dito por uma igreja, inclui Deus. Richard Trench, o mesmo que liga a frase a Oseias, achava que a riqueza de que ela se gabava era espiritual. As duas leituras ficam lado a lado.
✦3. Um erro antigo com roupa nova
A frase de Laodiceia não é nova na Bíblia. Uns oitocentos anos antes, o profeta Oseias denunciou o reino do norte de Israel, que ele costuma chamar de Efraim, o nome da tribo mais forte daquele reino. Em Oseias 12:7, Efraim aparece como um comerciante com balança enganosa nas mãos: alguém que roubava no peso para ganhar mais. E no versículo seguinte o profeta põe na boca do povo esta frase: “Contudo, me tenho enriquecido e adquirido grandes bens”. E o povo ainda acrescenta que, em todo o seu trabalho, ninguém vai achar nele culpa nenhuma (Oseias 12:8).
A semelhança salta aos olhos: rico, satisfeito e certo de que estava tudo bem. Há um detalhe que torna a ligação ainda mais próxima. Na tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, que era a Bíblia lida pelas igrejas de língua grega no tempo de João, o “enriqueci” de Oseias é exatamente a mesma forma de verbo que aparece em Apocalipse 3:17, a que a ARA traduz por “abastado”.
O comentarista Richard Trench, no século 19, escreveu que dificilmente duvidava de que Jesus estava fazendo referência a Oseias nessas palavras. Se é assim, Laodiceia não estava inventando um erro novo. Estava repetindo um erro antigo, com roupa nova.
✦ O que é certo e o que é leitura
É certo que Oseias 12:8 e Apocalipse 3:17 têm a mesma ideia e, na Septuaginta, o mesmo verbo na mesma forma. Que Jesus estivesse lembrando Oseias de propósito é uma leitura, defendida por Trench e por outros comentaristas, e é uma leitura forte. Mas o Apocalipse não diz “como está escrito em Oseias”. Vale guardar a diferença.
✦4. O problema não é ter dinheiro
É preciso cuidado aqui. Jesus não está dizendo que ter dinheiro é pecado. A Bíblia tem gente rica e fiel: Abraão era muito rico (Gênesis 13:2), e foi um homem rico, José de Arimateia, quem deu o túmulo para o corpo de Jesus (Mateus 27:57-60). O problema de Laodiceia não estava no “estou rico”. Estava no que vinha depois: “não preciso de coisa alguma”.
Deus já tinha avisado Israel sobre esse caminho antes mesmo de o povo entrar na terra. Em Deuteronômio 8:11-18, Moisés diz: quando você tiver comido e estiver farto, quando tiver construído boas casas e o seu gado, a sua prata e o seu ouro se multiplicarem, cuidado para não se esquecer do Senhor e não pensar que foi a sua própria força que trouxe tudo isso. O perigo da fartura nunca foi a fartura. É o esquecimento que ela facilita.
Quem não precisa de nada também não precisa de Deus. E quem não precisa de Deus para de pedir, para de buscar, para de ouvir. Por isso a igreja ficou morna. Não aquecia ninguém, não refrescava ninguém. Estava confortável demais para precisar.
✦5. “E nem sabes”
Depois de repetir o que a igreja dizia, Jesus diz o que Ele vê. E antes das cinco palavras duras vêm três palavras pequenas: “e nem sabes”. Elas mudam o peso de tudo. Uma pessoa doente que sabe que está doente procura o médico. Uma pessoa doente que se acha ótima não procura. O perigo maior não é a doença. É não saber dela.
Laodiceia não estava mentindo para os outros. Estava enganada sobre si mesma. O espelho dela mostrava riqueza; o olhar de Jesus mostrava outra coisa. E Ele diz o que vê com cinco palavras. No original, as duas primeiras vêm juntas sob um mesmo artigo e funcionam como nomes, “a infeliz e miserável”, e as três últimas descrevem: pobre, cego e nu.
✦6. “Infeliz”: a palavra de Paulo
A primeira palavra é talaípōros. Ela aparece só mais uma vez em todo o Novo Testamento, e quem a usa é o apóstolo Paulo. Em Romanos 7, ele descreve a própria luta contra o pecado: quer fazer o bem e não consegue, não quer fazer o mal e acaba fazendo. E então diz:
“Desventurado” é a mesma palavra que, em Apocalipse 3:17, a ARA traduz por “infeliz”. Paulo também se viu assim. Qual é, então, a diferença entre Paulo e Laodiceia? Paulo sabia. E porque sabia, perguntou: quem me livrará? E ele mesmo responde no versículo seguinte:
Laodiceia estava na mesma situação de Paulo, mas não sabia. E quem não sabe que precisa ser livrado não pergunta quem pode livrar.
✦7. “Miserável”: alguém que dá pena
A segunda palavra pede cuidado, porque no português de todo dia “miserável” virou xingamento: pessoa ruim, ou pão-duro. Não é esse o sentido aqui. A palavra do original é da mesma família de “misericórdia”, e quer dizer alguém digno de pena, alguém que, se você visse, teria vontade de ajudar. Paulo a usa uma vez, em 1 Coríntios 15:19, quando diz que, se a esperança em Cristo valesse só para esta vida, os cristãos seriam os mais dignos de pena de todos.
Laodiceia achava que causava inveja. Jesus diz: você causa pena.
✦8. “Pobre”: o mendigo, e Esmirna
A terceira palavra é ptōchós. O grego do Novo Testamento tinha duas palavras para pobre, e Richard Trench explica a diferença entre elas (Sinônimos do Novo Testamento). Uma, que aparece uma só vez (2 Coríntios 9:9), era para quem tem pouco e precisa trabalhar todo dia para comer: vive apertado, mas se sustenta. A outra, esta, era para quem não tem nada e depende de esmola. Jesus escolheu a segunda. A igreja que dizia “estou rico” era, aos olhos dEle, uma mendiga.
E aqui as cartas conversam entre si. Lembre-se de Esmirna, uma igreja perseguida e sem dinheiro. A ela Jesus disse:
Esmirna era pobre, e Jesus disse: você é rica. Laodiceia era rica, e Jesus disse: você é pobre. No original, é a mesma família de palavras, só que virada ao contrário: a “pobreza” de Esmirna é da família do “pobre” de Laodiceia, e o “rico” de Esmirna é o mesmo “rico” que Laodiceia dizia ser. As duas cartas, lidas lado a lado, mostram que a riqueza que Jesus conta não é a que está no banco.
✦9. “Cego e nu”: o orgulho da cidade pelo avesso
As duas últimas palavras trazem a cidade de volta. O médico Galeno fala de um colírio feito de “pedra frígia” (Sobre a conservação da saúde 6.12), e a Frígia é a região de Laodiceia. O geógrafo Estrabão conta que havia uma escola de medicina perto da cidade (Geografia 12.8.20). E, como já vimos, a cidade tinha uma lã preta que rendia muito. O arqueólogo William Ramsay, que estudou essas cidades no começo do século 20, e muitos estudiosos depois dele, ligam as duas palavras ao que eles achavam ser o orgulho da cidade: para Ramsay, que supôs um remédio para os olhos feito ali, a cidade estava cega; a cidade das roupas caras estava nua.
Na Bíblia, estar nu muitas vezes é estar com a vergonha exposta, sem nada para cobrir. É assim desde o começo: depois do pecado, Adão e Eva percebem que estão nus e se escondem (Gênesis 3:7-10). E o próprio Apocalipse volta a essa imagem mais adiante:
Jesus pegou exatamente aquilo de que Laodiceia mais se orgulhava e mostrou que, por dentro, era justamente isso que faltava.
✦ Uma honestidade sobre o colírio e a lã
A ligação entre “cego” e o remédio para os olhos, e entre “nu” e a lã preta, é leitura de William Ramsay, seguida por muitos depois dele, apoiada em escritores antigos que falam da lã de Laodiceia (Estrabão 12.8.16) e de um colírio de pedra frígia (Galeno 6.12). Colin Hemer achou fraca a prova de um colírio feito na própria cidade, e Craig Koester (2003) conclui que não há prova direta de que Laodiceia fosse conhecida pelo seu colírio. A ligação com a lã tem fonte antiga; a do colírio é a mais fraca. O texto bíblico não cita a lã nem o remédio. O que o versículo afirma com certeza é o diagnóstico: pobre, cego e nu, e “nem sabes”.
✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?
Jesus vê o que o espelho não mostra. Ele não olha a conta do banco nem a fama. Olha por dentro.
Jesus fala a verdade, mesmo quando ela dói. Deixar Laodiceia achando que estava tudo bem seria muito mais fácil. E muito mais cruel.
Jesus não fala isso para humilhar. A carta não termina aqui. Logo no versículo seguinte, o mesmo Jesus que mostra o que falta oferece aquilo que falta.
✦Aplicação para a minha vida
Ninguém hoje diz “estou rico e abastado”. Mas a mesma frase aparece de outros jeitos: “eu já sei disso”, “eu já conheço a Bíblia”, “eu estou bem, não preciso mudar nada”. Qualquer frase que termina em “não preciso” merece um segundo olhar.
A pergunta que fica não é “eu tenho algum problema?”. Todo mundo tem. A pergunta é: eu sei qual é? Quem sabe está onde Paulo estava, e pode fazer a mesma pergunta que ele fez, “quem me livrará?”, e ouvir a mesma resposta: Jesus Cristo, nosso Senhor.
Por isso a frase mais perigosa de Apocalipse 3:17 não é “pobre, cego e nu”. É “e nem sabes”. Quem sabe que está pobre, pede. Quem sabe que está cego, procura enxergar. E se Jesus está mostrando isso a você hoje, você já não está entre os que não sabem.
✦Resumo do estudo
- “Pois dizes”: Jesus repete o que a igreja dizia de si mesma. Estou rico, enriqueci e não preciso de coisa alguma.
- Laodiceia tinha comércio, câmbio e lã preta, e se reergueu do terremoto do ano 60 sem ajuda de Roma (Tácito, Anais 14.27). Para Swete, a igreja falava a língua da cidade; para Trench, a riqueza de que ela se gabava era espiritual.
- Oseias 12:8 já trazia a mesma frase na boca de Efraim; na Septuaginta é o mesmo verbo na mesma forma. Trench dificilmente duvidava da ligação.
- O problema não é o dinheiro; é o “não preciso”. Deuteronômio 8 já avisava que a fartura facilita o esquecimento.
- “E nem sabes”: o perigo maior não é a doença, é não saber dela.
- “Infeliz” (talaípōros) só aparece mais uma vez, em Romanos 7:24. Paulo sabia e perguntou “quem me livrará?”. Laodiceia não sabia.
- “Miserável” é da família de misericórdia: alguém que dá pena. “Pobre” (ptōchós) é o mendigo. Esmirna era pobre e rica; Laodiceia, rica e pobre (2:9).
- “Cego e nu”: a cidade do remédio para os olhos estava cega, a das roupas caras estava nua (leitura de Ramsay e outros).
✦Versículos para ler junto
A carta inteira: Apocalipse 3:14-22. O versículo 18 já responde, ponto por ponto, às palavras do 17.
O erro antigo: Oseias 12:7-8 · Deuteronômio 8:11-18 · 1 Coríntios 4:8. A fartura que faz esquecer quem deu.
Quem sabe que precisa: Romanos 7:21-25 · Mateus 5:3 · Lucas 18:9-14. Paulo, os pobres de espírito e o publicano que pede misericórdia.
Rico e pobre aos olhos de Jesus: Apocalipse 2:9 · 2 Coríntios 8:9 · Tiago 2:5. A riqueza que não está no banco.
A vergonha da nudez: Gênesis 3:7-10 · Apocalipse 16:15. Estar sem nada para cobrir.
✦Fontes e referências deste estudo
O texto bíblico em português é a Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferido versículo por versículo. O texto grego do Novo Testamento foi conferido nas edições Nestle-Aland e SBLGNT, com a numeração de Strong (talaípōros, G5005; ptōchós, G4434). As contagens foram feitas na concordância grega: talaípōros aparece duas vezes no Novo Testamento (Romanos 7:24 e Apocalipse 3:17); a palavra traduzida por “miserável” aparece duas vezes (1 Coríntios 15:19 e Apocalipse 3:17); a outra palavra para pobre, a de quem trabalha para comer, aparece uma vez (2 Coríntios 9:9). O texto grego de Oseias 12:8 é o da Septuaginta (Rahlfs), onde o versículo é o 12:9.
O terremoto do ano 60 e a reconstrução sem ajuda de Roma estão em Tácito, Anais, livro 14, capítulo 27, registro histórico e não texto bíblico. A observação sobre Oseias 12:8 é de Richard C. Trench (Commentary on the Epistles to the Seven Churches in Asia), que também cita a fama da lã negra de Laodiceia. A ligação de “pobre, cego e nu” com os bancos, a escola de medicina e as roupas da cidade é de William M. Ramsay (The Letters to the Seven Churches, capítulo sobre Laodiceia) e de Colin Hemer (The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting).
✦Para refletir
1. Que frase minha termina, mesmo sem eu perceber, em “não preciso”?
2. Eu sei qual é o meu problema diante de Deus? Já fiz a pergunta de Paulo, “quem me livrará?”
3. Do que eu mais me orgulho? Pode ser justamente ali que Jesus vê o que me falta?
✦Minhas anotações
✦Minha oração
✦No próximo estudo
Em Apocalipse 3:18, Jesus faz uma coisa surpreendente. Para a igreja pobre, cega e nua, Ele não manda só um aviso: dá um conselho de compra. E cada coisa que Ele oferece responde a uma das palavras do versículo 17. Mas há um detalhe: como alguém que não tem nada pode comprar? É isso que o próximo estudo investiga.
Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
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