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Caderno de Estudos · Estudo nº 065 · 404 versículos em 404 dias

Estudo de Apocalipse 3:16: caderno completo e PDF grátis

Leia primeiro. Assista depois. Guarde para sempre.

✦Onde paramos

No versículo 15, Jesus disse a Laodiceia: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!” Vimos que a imagem vem da água. Vimos a leitura de estudiosos como Rudwick e Green (1957): Laodiceia era rica, mas a água chegava por um aqueduto, carregada de mineral, e para eles chegava morna, enquanto Hierápolis, ao norte, tinha fontes quentes, e Colossos, a leste, água fria. Por isso “frio”, ali, muito provavelmente não é quem está longe de Deus: frio é a água que refresca, e quente é a água que faz bem.

A frase com que ficamos foi esta: o que Jesus não quer é uma vida que não faz bem para ninguém. Hoje vem a frase mais dura das sete cartas. E com ela, a pergunta que quase todo leitor faz quando chega aqui: ser morno é perder a salvação?

✦Como usar este caderno

Este caderno é para todo mundo, inclusive para quem nunca estudou o Apocalipse. Ore antes de começar. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Hoje é importante ter a Bíblia aberta em Apocalipse 3:14-22, porque o versículo 16 só se entende de verdade quando é lido junto com o resto da carta. Você vai encontrar duas palavras em grego; cada uma vem com a pronúncia aproximada, o número Strong para conferir em qualquer concordância e a explicação em português. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração.

✦Oração de abertura

Senhor Jesus, há frases Tuas que eu prefiro pular, porque doem. Hoje eu não quero pular. Me ajuda a ler a Tua palavra inteira, a parte que corrige e a parte que consola, e a entender que as duas saem do mesmo amor. Em Teu nome, amém.

✦O versículo de hoje

Apocalipse 3:16
“Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

✦Duas palavras que valem a pena ver no original

ἐμέω (eméō, pronúncia aproximada “e-MÉ-o”, Strong G1692) é “vomitar”, pôr para fora pela boca. No versículo aparece na forma emésai. É um verbo cru, sem rodeio, e o Novo Testamento inteiro o usa uma única vez: aqui.

μέλλω (méllō, “MÉL-lo”, G3195) é o verbo que a ARA traduz por “estou a ponto de”. Quer dizer estar prestes a fazer alguma coisa, estar para fazer. Ele está no presente. Guarde esta palavra, porque é nela que mora a resposta da pergunta deste estudo.

✦ Apocalipse 3:16 no original

οὕτως ὅτι χλιαρὸς εἶ καὶ οὔτε ζεστὸς οὔτε ψυχρός, μέλλω σε ἐμέσαι ἐκ τοῦ στόματός μου.

Novo Testamento Grego (Nestle-Aland 28 / SBLGNT). Palavra por palavra: “assim, porque morno és, e nem quente nem frio, estou para te vomitar da boca de mim”.

✦1. “Assim”: a consequência do versículo 15

O versículo começa com “assim”. É a palavra que liga uma causa ao seu resultado. No versículo 15 Jesus fez o diagnóstico: nem frio, nem quente. No 16 Ele diz o que esse estado provoca. E a ordem das palavras muda em relação ao versículo anterior. No 15 era “nem és frio nem quente”; aqui é “nem és quente nem frio”, e a palavra nova aparece primeiro: morno. O texto deixa de descrever o que a igreja não era e dá nome ao que ela era.

A frase tem três partes. A causa: “porque és morno”. A explicação: “nem és quente nem frio”, isto é, não servia nem para refrescar nem para aquecer. E a reação: “estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. É uma frase curta, e cada parte pesa. Vale ler uma de cada vez.

✦2. Uma palavra que o Novo Testamento usa uma vez só

O verbo grego eméō aparece em um único versículo de todo o Novo Testamento: este. São vinte e sete livros, e em nenhum outro lugar um autor bíblico usa essa palavra. Isso tem um efeito. Quando alguém que nunca levanta a voz levanta a voz um dia, todo mundo para. Não pelo volume, mas porque não é o jeito dele. Uma palavra que aparece uma vez só funciona assim: ela chama atenção pelo simples fato de estar ali.

Também não é uma palavra delicada. Jesus poderia ter dito “vou me afastar de ti” ou “vou te deixar de lado”. Escolheu a imagem física de alguém que põe uma coisa na boca e não consegue segurar. É rejeição forte, sim. Mas repare que a imagem não é de ódio. Ninguém cospe a água por raiva da água. Cospe porque ela não é o que deveria ser.

A imagem também não nasceu no Apocalipse. Em Levítico 18:25-28, Deus avisa Israel de que a própria terra de Canaã “vomitou” os seus moradores por causa das práticas que a contaminaram, e que poderia fazer o mesmo com Israel se o povo repetisse aquelas práticas. Na Bíblia, “vomitar” é linguagem de algo que não pode continuar dentro, e no Antigo Testamento ela já vinha acompanhada de um aviso.

✦3. A água que a cidade punha na boca

Para quem morava em Laodiceia, a imagem não tinha nada de exagerada. A cidade dependia de água trazida de fora. Ela vinha de uma fonte ao sul, a uns oito quilômetros, por um aqueduto que no último trecho corria por dentro de canos de pedra. Nas ruínas, os canos que restam mostram por dentro uma crosta grossa de mineral, deixada pela própria água ao longo dos anos. Segundo os estudiosos que defendem essa leitura, uma água assim chegaria morna; nenhum autor antigo fala da temperatura nem do gosto.

Se essa leitura estiver certa, a imagem era conhecida de quem ouvia: diante de uma água morna, a reação automática é cuspir. Jesus não inventou um castigo distante e assustador. Pegou uma sensação conhecida e disse: é assim que vocês estão para mim.

✦ O que é texto bíblico e o que é história

O aqueduto de Laodiceia e os depósitos de mineral nos canos são dados da arqueologia, não do texto bíblico. Apocalipse 3:16 não menciona a água da cidade. A ligação entre a imagem do morno e a água de Laodiceia, Hierápolis e Colossos é a leitura defendida por muitos comentaristas modernos, e é uma leitura forte, porque as três cidades aparecem juntas em Colossenses 4:13. Mas continua sendo leitura, e convém dizer isso com todas as letras.

✦4. Deus fala com a vida que a pessoa já conhece

Esse jeito de falar não é exclusivo desta carta. É o método de Deus na Bíblia inteira. Marcos resume o ensino de Jesus assim:

Marcos 4:33
“E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Parábola é uma história curta, tirada da vida comum, que ensina uma coisa maior do que ela. E as parábolas de Jesus saíam do dia a dia de quem ouvia. Para gente de roça, o semeador (Mateus 13:3). Para quem fazia pão em casa, o fermento que a mulher mistura na farinha “até ficar tudo levedado” (Mateus 13:33). Para pescadores do lago da Galileia, a rede:

Mateus 13:47
“O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Jesus nunca falou de rede para quem não conhecia o mar. E nas cartas do Apocalipse o mesmo cuidado aparece carta por carta. A Esmirna, cidade que tinha estádio e jogos, Ele promete “a coroa da vida” (2:10). A Pérgamo, que para William Ramsay era a sede do poder romano de condenar à morte pela espada, Ele se apresenta como aquele que tem a espada de dois gumes (2:12). A Tiatira, cidade de oficinas e de associações de artesãos do metal, Ele aparece com “pés semelhantes ao bronze polido” (2:18). E a Laodiceia, cuja água, para M. J. S. Rudwick e E. M. B. Green (1957), chegava morna, Ele fala em vomitar. (As outras ligações de cada carta com a sua cidade são leitura de William Ramsay e Colin Hemer.)

Deus não mudou de método. Continua falando a cada um na língua que a pessoa entende. E isso diz alguma coisa sobre Ele: quem escolhe as palavras pensando no ouvinte quer ser entendido, não apenas obedecido.

✦5. O que era ser morno naquela igreja

Muita gente aprendeu que morno é quem tem pouca fé, quem ora pouco, quem anda desanimado, quem foi ao culto e voltou sem sentir nada. Só que a carta não deixa a palavra solta. Logo no versículo seguinte, Jesus diz o que a igreja de Laodiceia falava de si mesma:

Apocalipse 3:17
“pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

“Pois” liga o 17 ao 16: é a explicação. “Abastado” é quem tem bens de sobra. Então, nesta carta, morno não é quem está fraco e sabe disso. Morno é quem está satisfeito. A pessoa fraca que sabe que é fraca ainda pede ajuda. A pessoa satisfeita não pede mais nada.

Imagine duas pessoas com sede. Uma sabe que está com sede e procura água. A outra também está com sede, mas está convencida de que já bebeu. Só a primeira vai beber. Ou numa pessoa doente que não sente dor: ela não procura o médico, porque para ela está tudo bem. O perigo dela não é só a doença. É não saber que tem.

✦6. A cidade que se reergueu sozinha

Para alguns comentaristas, esse jeito de pensar não nasceu dentro da igreja: era o jeito da cidade. No ano 60 depois de Cristo, um terremoto forte destruiu Laodiceia. O historiador romano Tácito registra o fato em poucas palavras: a cidade, uma das mais ilustres da Ásia, foi derrubada pelo terremoto e se reergueu com os próprios recursos, sem nenhuma ajuda de Roma (Anais, livro 14, capítulo 27).

Isso chama atenção. Uns quarenta anos antes, no ano 17, outro terremoto tinha atingido Sardes, Filadélfia e outras cidades da região, e o imperador Tibério prometeu dinheiro a Sardes e perdoou os impostos de todas por cinco anos (Tácito, Anais, livro 2, capítulo 47). No ano 60, Laodiceia se reergueu sem esse socorro: tinha de onde tirar. Câmbio, comércio e uma lã preta e macia, que rendia muito à cidade (Estrabão, Geografia 12.8.16).

Para o comentarista H. B. Swete (1906), seguindo Lightfoot, a igreja repetia a frase da cidade: nós nos levantamos sozinhos. Ela acabou dizendo a mesma coisa, com outras palavras: “não preciso de coisa alguma”. Richard Trench (1861) e Wilhelm Bousset (1906) achavam que ela falava de riqueza espiritual. O morno de Laodiceia não era falta de fé declarada. Era autossuficiência que foi entrando aos poucos.

Nesta carta, morno não é quem está fraco. É quem está satisfeito.

✦7. A carta não termina no versículo 16

Muita gente conhece Apocalipse 3:16 sozinho, como uma ameaça solta. Mas Jesus não ditou um versículo; ditou uma carta, e a carta continua. Três versículos depois está escrito:

Apocalipse 3:19
“Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

As palavras precisam ser lidas no sentido bíblico, não no sentido de rua. “Repreender” é chamar a atenção, mostrar o erro. “Disciplinar”, aqui, não é castigar com raiva: é a correção de um pai que ensina o filho para que ele não se perca. É a mesma ideia de Provérbios 3:12, que Hebreus 12:6 retoma: o Senhor corrige a quem ama. E “zeloso” não quer dizer fanático. Zelo, na Bíblia, é o cuidado ardente de quem se importa. É o contrário de morno.

E o mais importante está no meio do versículo: “a quantos amo”. A correção de Jesus é para quem Ele ama. Ninguém corrige alguém que já descartou; ninguém chama a atenção de quem já saiu da sua vida. A frase dura do versículo 16 e a frase de amor do versículo 19 foram ditas pela mesma boca, para a mesma igreja.

✦8. Do lado de fora da porta

Logo depois vem o versículo mais conhecido das sete cartas:

Apocalipse 3:20
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

A igreja que dizia não precisar de nada tem Jesus do lado de fora. E Ele não arromba a porta. Bate. Também não bate para cobrar, e sim para entrar e jantar junto. Cear, no mundo antigo, era sentar à mesma mesa, o gesto mais claro de amizade e de comunhão.

A batida não para. O que pode faltar é silêncio dentro da casa para ouvi-la. Quem está com o som alto não escuta quem bate, por mais que a pessoa continue batendo. Laodiceia não estava sem convite. Estava distraída demais com o próprio conforto para ouvir.

✦9. A promessa mais alta, para a igreja mais dura

Apocalipse 3:21
“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

“Vencer”, nas cartas, não é ganhar uma disputa contra alguém. É permanecer fiel até o fim, como Jesus permaneceu. E a recompensa prometida aqui é a mais alta das sete: sentar com Ele no trono. Ela foi dada justamente à igreja que não recebeu nenhum elogio. A carta começa com a frase mais dura e termina com a promessa mais alta. Isso não é acidente. É o retrato de quem está escrevendo.

✦10. “Estou a ponto de”: o aviso de quem ainda espera

Agora dá para voltar à pergunta do começo com o texto na mão. A ARA não diz “eu te vomitei”, nem “acabou”. Diz “estou a ponto de vomitar-te”. Outras traduções, como a Almeida Revista e Corrigida, trazem “vomitar-te-ei”, no futuro. O grego usa méllō: estou para fazer, estou prestes a fazer. Prestes ainda não é. É iminente, é sério, mas ainda não aconteceu.

O comentarista Richard Trench, no século 19, observou exatamente isso: a ameaça não se apresenta como algo que será executado imediatamente. Ela é real. Se fosse levada até o fim, seria uma rejeição completa, comparável ao candeeiro tirado do lugar em Éfeso (2:5). Mas é dita como aviso. E aviso só faz sentido enquanto ainda existe tempo.

Junte isso com o versículo 19. Quem recebe o aviso é alguém que Jesus ama. Ninguém avisa quem já perdeu. Ninguém corrige quem já desistiu de corrigir. Ninguém bate à porta de uma casa que já abandonou.

✦ Uma honestidade sobre a pergunta da salvação

Cristãos sinceros leem de modos diferentes a pergunta “alguém que creu pode se perder?”. Uns entendem que quem foi salvo de verdade será guardado até o fim; outros entendem que é possível abandonar a fé. Essa discussão é antiga e envolve muitos textos. Apocalipse 3:16 sozinho não resolve esse debate, e este caderno não vai fingir que resolve.

O que o versículo mostra com clareza, lido dentro da carta, é outra coisa: Jesus fala com uma igreja que Ele ama (3:19), com um verbo de iminência e não de fato consumado (“estou a ponto de”), enquanto ainda está batendo à porta (3:20). A frase é aviso, não sentença. O aviso é sério e não pode ser tratado como enfeite. Mas é aviso.

O morno do versículo 16 não é alguém que Jesus já jogou fora. É alguém que Jesus ainda está chamando.

✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?

Jesus fala a língua de quem está ouvindo. Ele não usou uma palavra bonita e distante. Pegou, ao que tudo indica, a água que aquela cidade conhecia na boca todos os dias e disse: é assim que vocês estão para mim.

Jesus diz a verdade inteira. Laodiceia era a igreja que se dizia rica, numa das cidades mais ricas das sete, a que parecia ter mais a oferecer. Seria fácil escrever para ela a carta mais educada. Foi justamente para ela que Ele não fez nenhum elogio. Jesus não maquia a verdade para agradar.

Jesus não vai embora. Depois de dizer a frase mais pesada do livro para aquela igreja, Ele continua do lado de fora, batendo, esperando alguém abrir, com um trono prometido para quem vencer.

✦Aplicação para a minha vida

O perigo deste versículo não é a falta de fé. É o conforto. A frase de Laodiceia não era “eu não acredito”. Era “eu não preciso”. E essa frase a gente aprende a dizer devagar, sem perceber: quando as contas estão pagas, quando a saúde está boa, quando aquele problema do ano passado se resolveu. A oração vai ficando mais curta. A Bíblia passa mais tempo fechada. Não é que a pessoa deixou de crer. É que parou de precisar.

Uma pergunta para responder só para você: quando foi a última vez que você pediu a Deus uma coisa que você não conseguiria resolver sozinho? Se demorou para lembrar, isso não é condenação. É só a água começando a amornar. E o incômodo que talvez apareça agora tem nome dentro da própria carta: está no versículo 19. É Jesus corrigindo quem Ele ama.

Um gesto pequeno para hoje: antes de dormir, leia Apocalipse 3:14-22 de uma vez, sem parar no 16. É lendo a carta inteira que se vê o caminho que ela faz: começa com a frase mais dura das sete e termina com o trono.

Se você está ouvindo o aviso, ainda está dentro do tempo dele.

✦Resumo do estudo

  1. “Assim” liga o 16 ao 15: é a consequência do diagnóstico. A frase tem causa (morno), explicação (nem quente nem frio) e reação (vomitar).
  2. Eméō, “vomitar”, aparece uma única vez em todo o Novo Testamento. É rejeição forte, mas a imagem é de algo que não serve, não de ódio. Levítico 18 já usava a terra que “vomita” como aviso.
  3. Laodiceia bebia água mineral, trazida por um aqueduto que terminava em canos de pedra, e que segundo essa leitura chegava morna. Jesus usou o que a cidade sentia na boca. É o mesmo método das parábolas (Marcos 4:33; Mateus 13) e das outras cartas: coroa para Esmirna, espada para Pérgamo, bronze para Tiatira.
  4. O versículo 17 explica o morno: “não preciso de coisa alguma”. Morno, nesta carta, não é quem está fraco, é quem está satisfeito.
  5. A cidade se reergueu do terremoto do ano 60 sem ajuda de Roma (Tácito, Anais 14.27). Para Swete, a igreja falava a língua da cidade; Trench e Bousset leem como riqueza espiritual.
  6. A carta continua: “repreendo e disciplino a quantos amo” (3:19), “estou à porta e bato” (3:20), e o trono para o vencedor (3:21).
  7. “Estou a ponto de” (méllō) é iminência, não fato consumado. O versículo é aviso a quem Jesus ama, e aviso só existe enquanto há tempo.

✦Versículos para ler junto

A carta inteira: Apocalipse 3:14-22. O versículo 16 só se entende dentro dela.

A correção que nasce do amor: Provérbios 3:11-12 · Hebreus 12:5-11 · Apocalipse 3:19. A disciplina de Deus como a de um pai.

Deus fala com a vida de quem ouve: Marcos 4:33-34 · Mateus 13:3, 13:33, 13:47. As parábolas tiradas do dia a dia.

A língua de cada cidade: Apocalipse 2:10 (Esmirna) · 2:12 (Pérgamo) · 2:18 (Tiatira) · 3:16 (Laodiceia).

A imagem de “vomitar” no Antigo Testamento: Levítico 18:24-28 · 20:22. A terra que não suporta o que a contamina.

Avisos com tempo para voltar: Apocalipse 2:5 · 2:16 · 2:21 · 3:3. Em todas as cartas o aviso vem antes da consequência.

✦Fontes e referências deste estudo

O texto bíblico em português é a Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferido versículo por versículo; a forma “vomitar-te-ei” é da Almeida Revista e Corrigida. O texto grego do Novo Testamento foi conferido nas edições Nestle-Aland e SBLGNT, com a numeração de Strong (eméō, G1692; méllō, G3195). A informação de que eméō aparece só em Apocalipse 3:16 foi conferida na concordância grega.

O terremoto de Laodiceia e a reconstrução sem ajuda de Roma estão em Tácito, Anais, livro 14, capítulo 27; o socorro de Tibério às cidades atingidas no ano 17 está em Tácito, Anais, livro 2, capítulo 47 (dinheiro só para Sardes; as outras ficaram sem imposto). São registros históricos, não texto bíblico. A ligação da reconstrução da cidade com o “não preciso de coisa alguma” é de H. B. Swete (The Apocalypse of St. John, 1906), seguindo J. B. Lightfoot; R. C. Trench (1861) e W. Bousset (1906) leem como riqueza espiritual. A observação sobre “estou a ponto de” como ameaça que não se apresenta para execução imediata é de Richard C. Trench (Commentary on the Epistles to the Seven Churches in Asia). A ligação da imagem com a água de Laodiceia, Hierápolis e Colossos é a leitura de comentaristas como Colin Hemer (The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting) e Grant Osborne (Revelation); a ligação de cada carta com a sua cidade é tratada também por William Ramsay (The Letters to the Seven Churches).

✦Para refletir

1. Em que área da minha vida eu tenho dito, mesmo sem palavras, “não preciso”?

2. Quando foi a última vez que eu pedi a Deus algo que eu não conseguiria resolver sozinho?

3. Que barulho dentro da minha casa pode estar cobrindo a batida de Jesus na porta?

✦Minhas anotações

✦Minha oração

✦No próximo estudo

Em Apocalipse 3:17, Jesus repete o que a igreja dizia de si mesma, “estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”, e responde com cinco palavras duras: infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Só que as palavras mais perigosas do versículo são outras três: “e nem sabes”. Por que a igreja que se dizia rica era, para Jesus, pobre? É isso que o próximo estudo investiga.

Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.

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Continue lendo. Continue perguntando.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
@entrerevelacoes · entrerevelacoes.com.br

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