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Quem foi Jezabel na Bíblia: 1 Reis e Apocalipse 2:20
✦ Série 404 · Versículo por versículo

Quem foi Jezabel na Bíblia: da rainha de Israel à mulher de Tiatira

1 de outubro de 2026 11 min de leitura por Thaís
Resposta rápida

Jezabel foi uma rainha de Israel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e esposa do rei Acabe (1 Reis 16:31). Ela trouxe a adoração a Baal para dentro do reino, sustentava centenas de profetas pagãos e perseguiu os profetas do Senhor. Séculos depois, Jesus usa o nome dela numa carta a uma igreja, em Apocalipse 2:20, para descrever uma influência que ensinava e levava cristãos para a idolatria.

Não são a mesma pessoa. A rainha morreu no tempo de Jeú (2 Reis 9). A “Jezabel” de Tiatira é um nome emprestado, que faz o leitor lembrar da história inteira de uma vez.

Leia o estudo completo de Apocalipse 2:20 →

Quando Jesus escreve “essa mulher, Jezabel” para a igreja de Tiatira, Ele não explica quem foi Jezabel. Não precisava. Quem ouvia a carta ser lida sabia a história, do mesmo jeito que um brasileiro sabe quem foi Judas sem ninguém explicar. Para nós, que estamos mais longe, vale contar a história. É ela que dá o peso do nome.

Uma princesa estrangeira no trono de Israel

"Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou." (1 Reis 16:31, ARA)

Acabe era rei do reino do norte, Israel, uns sessenta anos depois da morte de Salomão. O casamento com Jezabel era um acordo político com Sidom, cidade rica da costa fenícia, onde hoje é o Líbano. O texto conta isso com uma ironia dura: como se os pecados anteriores fossem pouca coisa, Acabe ainda se casou com ela e passou a servir Baal, o deus de Sidom.

O ponto que a Bíblia faz questão de marcar é que Jezabel não guardou a religião dela para si. Ela a trouxe para dentro, com dinheiro do reino:

"Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo que comem da mesa de Jezabel." (1 Reis 18:19, ARA)

Oitocentos e cinquenta profetas pagãos sustentados pela rainha. E, do outro lado, os profetas do Senhor sendo caçados: “quando Jezabel exterminava os profetas do Senhor, Obadias tomou cem profetas, e de cinquenta em cinquenta os escondeu numa cova” (1 Reis 18:4). Quando Elias venceu os profetas de Baal no Carmelo, foi ela quem mandou o recado que fez o profeta fugir para o deserto:

"Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles." (1 Reis 19:2, ARA)

Quem mandava de verdade

A Bíblia resume o reinado de Acabe numa frase, e a frase não é sobre ele:

"Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o instigava;" (1 Reis 21:25, ARA)

Esse versículo fecha a história da vinha de Nabote (1 Reis 21). Acabe queria a vinha, o dono não vendeu, e o rei foi para a cama emburrado. Foi Jezabel quem escreveu cartas em nome do rei, armou um julgamento com testemunhas falsas e mandou apedrejar Nabote. Depois disse ao marido: levanta e toma posse. O poder formal era de Acabe. A influência era dela. É esse o traço que o nome carrega: alguém que não ocupa o cargo, mas conduz quem ocupa.

O fim da rainha

Elias profetizou que os cães comeriam Jezabel no campo de Jezreel (1 Reis 21:23). Anos depois, quando Jeú foi ungido rei para acabar com a casa de Acabe, o filho dela ainda perguntou se vinha em paz. A resposta junta tudo o que a Bíblia pensa sobre ela:

"Sucedeu que, vendo Jorão a Jeú, perguntou: Há paz, Jeú? Ele respondeu: Que paz, enquanto perduram as prostituições de tua mãe Jezabel e as suas muitas feitiçarias?" (2 Reis 9:22, ARA)

“Prostituições”, aqui, é a palavra que os profetas usam para idolatria: trair o Deus da aliança com outros deuses. Jezabel foi lançada da janela do palácio, e o que sobrou do corpo confirmou a profecia (2 Reis 9:30 a 37). O texto termina dizendo que ninguém mais poderia apontar e dizer “esta é Jezabel”. Mas o nome ficou.

Séculos depois, numa igreja da Ásia Menor

Tiatira era uma cidade de artesãos, com associações de ofício registradas em inscrições: tintureiros, curtidores, bronzistas, oleiros (William Ramsay, 1904). Ramsay e Charles entendem que cada associação tinha o seu deus protetor e as suas refeições, com sacrifício, comida e bebida, e que, para um cristão que vivia de um ofício, ficar fora dessas refeições podia custar o trabalho. Foi nesse ambiente que apareceu alguém ensinando que dava para participar:

"Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos." (Apocalipse 2:20, ARA)

Agora o nome faz sentido. A rainha trouxe a idolatria para dentro de Israel, sustentou quem a ensinava e levou o povo a mancar entre dois pensamentos. A influência em Tiatira trazia a idolatria para dentro da igreja, com pretensão profética, e levava os servos de Jesus para a mesa dos ídolos. A mesma mistura, no mesmo lugar: dentro do povo de Deus, e não fora.

Jezabel nunca atacou o povo de Deus por fora. Nas duas vezes, ela estava dentro.

O que este estudo não está dizendo

O texto de Apocalipse não diz o nome civil da mulher de Tiatira, e ninguém sabe. Alguns comentaristas entendem que era uma pessoa real, apelidada de Jezabel pela carta. Outros, que o nome designa uma corrente de ensino. Outros, uma pessoa à frente de uma corrente. O leitor decide. O que o texto afirma, em qualquer das leituras, é que havia uma influência com pretensão profética ensinando dentro da igreja, e que a igreja estava permitindo.

E não é a rainha que reaparece. A Jezabel de 1 Reis morreu em Jezreel. Jesus usa o nome como se usa “Balaão” três cartas antes (Apocalipse 2:14): uma figura do Antigo Testamento que resume um tipo de erro.

O que muda entre uma e outra

Com a rainha, o julgamento veio por meio de Jeú, com espada. Com a Jezabel de Tiatira, a carta mostra outra sequência: primeiro, tempo. “Dei-lhe tempo para que se arrependesse” (Apocalipse 2:21). O julgamento, quando vem, é anunciado como obra do próprio Jesus, “aquele que sonda mentes e corações” (Apocalipse 2:23), e com uma condição aberta até o fim: “caso não se arrependam” (Apocalipse 2:22).

O que Jesus cobra da igreja não é executar ninguém. É parar de tolerar: não deixar que um ensino que leva à idolatria continue correndo como se fosse palavra de Deus. Com a Palavra aberta, com confronto honesto, e com a porta do arrependimento aberta, do jeito que Ele mesmo fez.

Resumindo

Perguntas frequentes

Quem foi Jezabel na Bíblia?

Uma princesa de Sidom, filha do rei Etbaal, que se casou com Acabe, rei de Israel (1 Reis 16:31). Ela trouxe a adoração a Baal para dentro do reino, sustentava 850 profetas pagãos e perseguia os profetas do Senhor.

O que Jezabel fez de errado?

Trouxe a idolatria para dentro do povo de Deus e a sustentou com o dinheiro do reino; mandou matar profetas do Senhor; ameaçou Elias de morte; e armou um julgamento falso para matar Nabote e tomar a vinha dele (1 Reis 21). A Bíblia resume: “Jezabel, sua mulher, o instigava” (1 Reis 21:25).

Como Jezabel morreu?

Quando Jeú foi ungido rei para acabar com a casa de Acabe, Jezabel foi lançada da janela do palácio em Jezreel, e os cães comeram o corpo, como Elias tinha profetizado (1 Reis 21:23; 2 Reis 9:30 a 37).

A Jezabel de Apocalipse 2:20 é a mesma rainha?

Não. A rainha morreu séculos antes. Em Apocalipse 2:20 Jesus usa o nome como um apelido para uma influência dentro da igreja de Tiatira, do mesmo jeito que usa “Balaão” para Pérgamo (2:14). O nome traz a história inteira junto.

O que a rainha e a mulher de Tiatira têm em comum?

As duas trouxeram a idolatria para dentro do povo de Deus, com aparência religiosa e com autoridade. A rainha sustentava profetas; a mulher de Tiatira se declarava profetisa. As duas levaram pessoas para a mesa dos ídolos. Nas duas vezes, o ataque veio por dentro.

O que muda entre uma história e a outra?

Com a rainha, o julgamento veio por Jeú, com espada. Com a Jezabel de Tiatira, Jesus primeiro deu tempo para arrependimento (Apocalipse 2:21), e o julgamento é anunciado como obra dele mesmo, com a porta aberta: “caso não se arrependam” (2:22). O que Ele cobra da igreja é parar de tolerar.

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