Pular para o conteúdo
Caderno de Estudos · Estudo nº 058 · 404 versículos em 404 dias

Estudo de Apocalipse 3:9: caderno completo e PDF grátis

Leia primeiro. Assista depois. Guarde para sempre.

✦Onde paramos

No versículo 8, Jesus disse a Filadélfia que tinha posto diante dela uma porta aberta, que ninguém pode fechar. A porta veio da chave de Davi: quem tem a chave decide quem entra na casa do Rei. E vimos que aquela igreja tinha pouca força, mas não pouca fé: guardou a palavra de Jesus e não negou o nome dEle, ao contrário de Pedro naquela noite no pátio.

A frase com que ficamos foi esta: a fidelidade não comprou a porta; quem abriu foi Jesus, e ninguém fecha. Agora a carta mostra quem estava do outro lado. No versículo 9 Jesus fala dos que se opunham àquela igreja, e usa uma expressão que assusta muita gente: “sinagoga de Satanás”.

✦Como usar este caderno

Este caderno é para todo mundo, inclusive para quem nunca estudou o Apocalipse. Ore antes de começar. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Hoje boa parte do estudo acontece no Evangelho de João, capítulo 9, então vale a pena ler esse capítulo inteiro antes ou depois: é uma das histórias mais vivas dos evangelhos. Você vai encontrar duas palavras em grego, cada uma com a pronúncia aproximada, o número Strong para conferir em qualquer concordância e a explicação em português. Este é um versículo que precisa ser lido com cuidado, e o caderno vai separar o tempo todo o que o texto diz do que é interpretação. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração.

✦Oração de abertura

Senhor Jesus, há palavras Tuas que são duras de ouvir. Me ajuda a lê-las com cuidado, sem tirar delas mais do que dizem e sem usá-las contra ninguém. Se eu já fui rejeitado, me lembra de quem me ama. E se eu já rejeitei alguém em Teu nome, me mostra. Em Teu nome, amém.

✦O versículo de hoje

Apocalipse 3:9
“Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

O versículo tem três expressões difíceis: “sinagoga de Satanás”, “se declaram judeus e não são” e “prostrar-se aos teus pés”. E termina com uma das frases mais ternas das sete cartas: “eu te amei”. Vamos com calma, uma expressão de cada vez.

Um detalhe antes de começar. O primeiro verbo, que a ARA traduz por “farei”, no original é o verbo comum de dar, o mesmo do versículo 8, onde Jesus disse “eu dei diante de ti uma porta aberta”. Agora Ele diz, literalmente, “eis que dou alguns da sinagoga de Satanás”. A ARA repete “farei” mais adiante, onde o grego de fato usa o verbo fazer. O que Jesus dá à igreja, desta vez, são pessoas que um dia vão reconhecer uma coisa.

✦Duas palavras que valem a pena ver no original

συναγωγή (synagōgḗ, pronúncia aproximada “sinagoguÊ”, Strong G4864) quer dizer, na raiz, ajuntamento, reunião: vem de um verbo que significa reunir, juntar. Com o tempo passou a nomear tanto o grupo que se reunia quanto o lugar da reunião. Guarde isso: quando Jesus diz “sinagoga de Satanás”, a palavra pode estar falando de um grupo de pessoas, não necessariamente de um prédio.

ἀγαπάω (agapáō, “agapÁo”, G25) é amar. No fim do versículo aparece numa forma que o grego usa para uma ação no passado, vista como um fato: ēgápēsa, “eu amei”. A ARA traduz bem: “conhecer que eu te amei”. Não é “que eu vou passar a te amar”. É um amor que já existia.

✦1. O que era uma sinagoga

A palavra “sinagoga” costuma soar estranha para quem não cresceu lendo a Bíblia. Era o lugar onde os judeus se reuniam para orar e ouvir as Escrituras lidas e explicadas. Era também o ponto de encontro da comunidade: ali estavam os amigos, a família, os vizinhos. Jesus mesmo ensinava em sinagogas. Lucas conta que, em Nazaré, Ele entrou na sinagoga num sábado, como costumava fazer, e se levantou para ler (Lucas 4:16). E, quando Paulo chegava a uma cidade nova, era comum começar pela sinagoga (Atos 17:1-2).

Por isso a expressão “sinagoga de Satanás” é tão forte. Ela junta um lugar de oração com o nome do inimigo de Deus. Para entender por que Jesus fala assim, ajuda conhecer uma história contada por João, que mostra como alguém podia perder o lugar na sinagoga.

✦2. A história de um homem que foi expulso

João 9 começa com um homem que tinha nascido cego e pedia esmola em Jerusalém. Jesus passa, para e faz uma coisa estranha:

João 9:6-7
“Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego, dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Um homem que nunca tinha visto nada volta para casa enxergando. Os vizinhos se assustam e discutem se é ele mesmo, e ele responde que é. Então o caso chega aos fariseus, um grupo que levava muito a sério cada mandamento da lei de Moisés. E eles encontram um problema: “E era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos” (9:14). O sábado era o dia de descanso, em que não se trabalhava, e para alguns deles fazer lodo e curar era trabalhar. Por isso diziam: “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado” (9:16). Outros fariseus não concordavam: como um pecador faria uma coisa dessas? O grupo ficou dividido.

Os que estavam contra Jesus não desistiram. Primeiro duvidaram do próprio milagre: será que ele nasceu cego mesmo? Mandaram chamar os pais. E João explica por que os pais responderam só o necessário:

João 9:22
“Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

“Cristo” quer dizer Messias, o enviado de Deus que o povo esperava. E “os judeus”, aqui, são as autoridades que tinham tomado aquela decisão, porque os próprios pais também eram judeus. Ser expulso da sinagoga era perder de uma vez os amigos, os vizinhos e o lugar na comunidade. Os pais tinham medo, e com razão.

Chamaram o homem de novo e quiseram que ele dissesse que Jesus era pecador. A resposta dele é uma das frases mais lembradas dos evangelhos:

João 9:25
“Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Insistiram, e ele começou a responder com coragem. Eles o injuriaram e disseram: “Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é” (9:28-29). E o homem que até a véspera pedia esmola ensinou os mestres: “Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos” (9:30). E ainda: “Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito” (9:33). Então veio o fim da conversa:

João 9:34
“Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Pense no que aconteceu com esse homem. No dia em que ganhou a visão, perdeu o lugar. E perdeu só porque contou a verdade sobre o que tinha vivido.

✦3. Jesus foi procurar quem tinham posto para fora

A história não termina na expulsão.

João 9:35-38
“Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem? Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia? E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo. Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Repare na ordem. As pessoas colocaram aquele homem para fora; Jesus foi atrás dele. E o primeiro a quem aquele homem chamou de Senhor foi justamente quem o procurou. Ele perdeu um lugar e ganhou um encontro.

Jesus sabia que isso ia se repetir com os seus. Na última noite com os discípulos, Ele avisou: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus” (João 16:2). A rejeição dos seguidores de Jesus não pegaria ninguém de surpresa.

✦4. O que isso tem a ver com Filadélfia

Aqui é preciso um cuidado. João 9 não usa a expressão “sinagoga de Satanás”, e as pessoas não são as mesmas. Uma história aconteceu em Jerusalém; a outra, anos depois, numa cidade distante da Ásia Menor. Mas a situação é parecida. Em Filadélfia também havia um grupo pequeno que seguia Jesus, e havia um grupo que se colocava contra ele.

A carta não conta se os cristãos de Filadélfia também foram expulsos da sinagoga local, e não encontrei nas fontes lidas quem prove isso. Há um documento um pouco posterior que ajuda a ver o tipo de pressão. Inácio de Antioquia, escrevendo à igreja de Filadélfia por volta do ano 110, avisou: “se alguém vos propuser o judaísmo, não o ouçais” (Carta aos Filadelfienses 6.1). Ele fala de gente que nem era judia de origem e queria impor costumes da Lei aos cristãos. Há quem leia o grupo de 3:9 assim, e há quem leia como a sinagoga da cidade. O texto do Apocalipse não decide. O que ela mostra é que existia oposição, e que essa oposição se apresentava como quem fala em nome de Deus. A história do cego ajuda a enxergar o tipo de coisa que podia estar acontecendo, sem que a gente invente o que o texto não diz.

Há também uma carta anterior que ajuda. Em Esmirna, Jesus usou quase as mesmas palavras:

Apocalipse 2:9
“Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Em Esmirna, o que esse grupo fazia é chamado de blasfêmia, que aqui tem o sentido de falar mal, difamar, caluniar. Não era só discordar. Era atacar.

✦5. Não acreditar não é atacar

A história do cego mostra uma diferença que muda a leitura do versículo inteiro. Uma pessoa pode dizer: “eu não acredito que Jesus é o Messias”. Isso é não acreditar. Outra coisa é mentir sobre quem acredita, ameaçar, expulsar, perseguir. Isso é atacar.

Neste versículo, é do grupo que atacava que Jesus está falando, e não de qualquer pessoa que pensava diferente. O próprio versículo dá a pista: “mas mentem”. O problema apontado não é uma opinião diferente. É uma mentira.

Não acreditar é uma coisa. Atacar quem acredita é outra.

✦6. Por que “de Satanás”?

Agora a primeira expressão difícil. Por que “de Satanás”? O próprio Apocalipse explica quem Satanás é e o que ele faz. No capítulo 12, João ouve uma voz no céu:

Apocalipse 12:10
“Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Satanás é o acusador: aquele que acusa os que seguem a Deus. Então Jesus não está dizendo que aquelas pessoas se reuniam para adorar Satanás. Elas nem usavam esse nome, e provavelmente se viam como servos de Deus. Jesus está dizendo que, quando acusavam, caluniavam e atacavam a igreja, estavam fazendo o trabalho do acusador. A reunião podia ter o nome de casa de oração; o serviço que prestava, naquele ponto, era do outro lado.

✦7. “Se declaram judeus e não são”: povo e religião

A segunda expressão difícil pede que a gente separe duas coisas que parecem iguais e não são. Uma coisa é ser judeu de povo: é a origem, a família em que a pessoa nasceu, assim como alguém nasce brasileiro. Outra coisa é o judaísmo: a religião, a fé que a pessoa segue. Uma coisa é de onde eu vim; outra é no que eu creio.

De qual das duas o versículo está falando? Na leitura do pesquisador William Ramsay (1904), por exemplo, não é da origem: aquelas pessoas seriam judias de nascimento, e Jesus não estaria dizendo que elas mentiam sobre a própria família, mas falando da fé. Há também quem leia de outro jeito, como se verá adiante com Inácio de Antioquia. Nas duas leituras, o ponto é o mesmo. Aquele grupo dizia: “nós somos o povo fiel a Deus”. E ao mesmo tempo atacava as pessoas que Jesus amava. O nome dizia uma coisa; a atitude dizia outra. Foi o que se viu em João 9: os que interrogavam o cego diziam “nós somos discípulos de Moisés”, e expulsaram um homem porque ele contou a verdade.

Paulo, que era judeu de nascimento e de formação, escreveu uma frase que ajuda a entender esse uso da palavra:

Romanos 2:28-29
“Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Paulo não está negando que os judeus de nascimento fossem judeus. Está dizendo que o título “povo de Deus” não se sustenta só por fora. Dizer que representa Deus não torna certo tudo o que a pessoa faz.

O ponto do versículo, então, é este: um grupo que reivindicava o nome de povo de Deus e, ao mesmo tempo, mentia sobre os seguidores de Jesus e os atacava.

✦ O que este caderno não está dizendo

Não está dizendo que o povo judeu é “sinagoga de Satanás”, nem autorizando qualquer desprezo por judeus, ontem ou hoje. Jesus era judeu. João, que escreveu o Apocalipse, era judeu. Os apóstolos e a primeira igreja eram judeus. O homem curado em João 9 e os pais dele eram judeus. O versículo fala de um grupo determinado, numa cidade determinada, por causa do que fazia.

E Paulo, falando do seu povo, perguntou e respondeu: “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum!” (Romanos 11:1). Usar Apocalipse 3:9 para atacar alguém seria fazer exatamente o que o versículo condena.

✦8. “Prostrar-se aos teus pés”

A terceira expressão difícil. Prostrar-se é curvar-se até o chão. Então os cristãos de Filadélfia seriam adorados, como se fossem deuses? Não. O próprio Apocalipse fecha essa porta. Quando João, mais adiante, se curva diante de um anjo, ouve na hora: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus” (Apocalipse 19:10). Se nem um anjo pode receber adoração, uma igreja muito menos.

Aqui, prostrar-se é reconhecer. É o gesto de quem admite diante de todos: eu estava errado sobre você. E essa imagem não nasceu no Apocalipse. Vem de Isaías, de uma promessa que Deus fez a Jerusalém num tempo em que a cidade tinha sido humilhada:

Isaías 60:14
“Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; prostrar-se-ão até às plantas dos teus pés todos os que te desdenharam e chamar-te-ão Cidade do SENHOR, a Sião do Santo de Israel.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Em Isaías, os que desprezavam Jerusalém um dia reconheceriam que ela era a cidade do Senhor. Jesus usa a mesma imagem para aquela pequena igreja de pouca força. Quem a desprezava teria de reconhecer uma coisa. E o versículo diz qual é.

✦9. “E conhecer que eu te amei”

Repare: a promessa não é de vingança. Jesus não diz que os adversários seriam destruídos, nem que a igreja ia se vingar deles. Diz que eles iam descobrir quem Jesus amava. A recompensa de Filadélfia não é ver o outro cair. É ver a verdade aparecer.

E esse amor não começaria naquele dia. Como vimos no original, “eu te amei” está numa forma do passado: um amor que já existia. O que mudaria era que os adversários passariam a enxergar o que sempre esteve ali. Isaías também tem essa frase, dita por Deus ao seu povo:

Isaías 43:4
“Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

A igreja de pouca força, que tinha ouvido dizer que não pertencia ao povo de Deus, ouve de Jesus a mesma declaração que o Senhor fez ao seu povo em Isaías: foste precioso aos meus olhos, eu te amei.

✦ Uma honestidade sobre “alguns”

O versículo diz “alguns”, não todos. E não detalha o que acontece com eles. Alguns estudiosos entendem que essas pessoas passariam a crer em Jesus: o reconhecimento seria conversão. Outros entendem que elas apenas reconheceriam a verdade, talvez no fim da história, sem que isso signifique conversão.

O texto não decide entre essas leituras. O que ele garante é isto: essas pessoas saberiam que Jesus amava aquela igreja.

✦10. As duas histórias juntas

Coloque agora as duas histórias lado a lado. O cego foi expulso, e Jesus foi atrás dele. A igreja de Filadélfia foi desprezada, e Jesus disse: eu te amei. Nos dois casos, as pessoas fecharam uma porta, e Jesus mostrou que a porta dEle continuava aberta.

Ser rejeitado por pessoas não é ser rejeitado por Jesus.

✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?

Que Jesus vê quem é posto para fora. Ele ouviu falar da expulsão do cego e foi procurá-lo. Ele sabia o que estava acontecendo com a pequena igreja de Filadélfia e falou com ela. Ninguém é expulso longe demais dos olhos dEle.

Que Jesus não se deixa enganar por nomes. Um grupo pode ter o título de povo de Deus e fazer o trabalho do acusador. Jesus olha para o que se faz, não só para o nome que se usa.

Que a resposta de Jesus à injustiça não é vingança, é verdade. Ele não promete destruir os adversários. Promete que um dia eles vão saber quem Ele ama.

✦Aplicação para a minha vida

Este versículo pede duas coisas. A primeira é um alerta para mim. Pensar diferente de mim não faz de ninguém meu inimigo. E eu posso falar o nome de Deus e, ao mesmo tempo, acusar, humilhar e colocar gente para fora. Os que expulsaram o cego se diziam discípulos de Moisés. Então a pergunta é: o que eu faço em nome de Deus cuida das pessoas ou machuca?

A segunda é um consolo para quem já foi rejeitado. Talvez você tenha sido deixado de lado por causa da sua fé, numa família, num trabalho, até numa igreja. Isso dói, e Jesus não finge que não dói. Mas quem rejeitou você não é quem decide se Jesus ama você.

Quem rejeitou você não decide se Jesus ama você.

✦Resumo do estudo

  1. O primeiro verbo do versículo é, no original, o mesmo verbo de dar do versículo 8. E “sinagoga” quer dizer, na raiz, reunião: pode falar de um grupo, não só de um prédio.
  2. Em João 9, o homem que nasceu cego foi curado num sábado, disse “eu era cego e agora vejo” e foi expulso da sinagoga. Jesus ouviu e foi procurá-lo, e ele creu (9:35-38).
  3. João 9 não usa a expressão “sinagoga de Satanás” e não fala das mesmas pessoas. A carta a Filadélfia mostra que havia oposição; não diz que houve expulsão.
  4. Não acreditar não é atacar. Jesus fala do grupo que mentia sobre a igreja e a atacava (“mas mentem”), não de quem pensava diferente.
  5. “De Satanás” porque Satanás é o acusador (Apocalipse 12:10). Quem acusava a igreja fazia o trabalho do acusador, mesmo sem saber.
  6. “Se declaram judeus e não são”: não é a origem, é a reivindicação de ser o povo fiel a Deus (Romanos 2:28-29). O versículo não fala do povo judeu como um todo: Jesus, João e os apóstolos eram judeus.
  7. “Prostrar-se aos teus pés” é reconhecer, não adorar (Apocalipse 19:10), e vem de Isaías 60:14.
  8. “E conhecer que eu te amei”: a promessa não é vingança. O amor já existia (Isaías 43:4); os adversários passariam a enxergar. “Alguns”, não todos.

✦Versículos para ler junto

A história completa do cego: João 9:1-41. Do lodo nos olhos à expulsão e ao encontro com Jesus.

Jesus avisou que isso ia acontecer: João 12:42 · 16:1-2. A expulsão da sinagoga anunciada aos discípulos.

A mesma expressão em outra carta: Apocalipse 2:9 · 3:9. Esmirna e Filadélfia, as duas igrejas que não recebem correção.

O acusador: Apocalipse 12:9-11 · Zacarias 3:1-2. Quem acusa os servos de Deus, e quem os defende.

Quem é judeu de verdade, e o povo que Deus não rejeitou: Romanos 2:28-29 · 9:1-5 · 11:1-2. Paulo falando do seu próprio povo.

Prostrar-se e reconhecer: Isaías 60:14 · 49:23 · Apocalipse 19:10 · 22:8-9. O gesto de reconhecer, e o limite: só Deus recebe adoração.

“Eu te amei”: Isaías 43:1-4 · João 13:1 · Apocalipse 1:5. O amor que já existia antes de ser reconhecido.

✦Fontes e referências deste estudo

O texto bíblico em português é a Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferido versículo por versículo. O texto grego do Novo Testamento foi conferido nas edições Nestle-Aland e SBLGNT, com a numeração de Strong (synagōgḗ, G4864; agapáō, G25, no aoristo ēgápēsa). Que o primeiro verbo de Apocalipse 3:9 é o mesmo verbo de dar de 3:8 foi conferido no texto grego.

O sentido de “se declaram judeus e não são”, assim como a ligação com Isaías 60:14 e Isaías 43:4, são discutidos em comentários como os de G. K. Beale (The Book of Revelation), Grant Osborne (Revelation), Robert Mounce (The Book of Revelation) e Colin Hemer (The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting). Que os cristãos de Filadélfia tenham sido expulsos da sinagoga local não está no texto bíblico, e não encontrei nas fontes lidas quem prove isso. Para W. M. Ramsay, The Letters to the Seven Churches of Asia (1904), cap. 12, a “sinagoga de Satanás” era ainda uma sinagoga de judeus. A carta de Inácio aos Filadelfienses (6.1, por volta do ano 110) e Justino, que por volta do ano 155 fala de cristãos amaldiçoados “nas vossas sinagogas” (Diálogo com Trifão 16 e 47), mostram conflitos de décadas depois; servem de contexto, não de prova do que acontecia em Filadélfia nos anos 90.

✦Para refletir

1. Existe alguém que eu trato como inimigo só porque pensa diferente de mim?

2. O que eu faço em nome de Deus tem cuidado das pessoas ou machucado?

3. Que rejeição eu ainda carrego como se ela decidisse o amor de Jesus por mim?

✦Minhas anotações

✦Minha oração

✦No próximo estudo

Em Apocalipse 3:10, Jesus fala de uma “hora da provação” que viria sobre o mundo inteiro, isto é, sobre toda a terra habitada, e faz uma promessa àquela igreja: “porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei”. Que hora é essa? E o que quer dizer ser guardado por Jesus? É isso que o próximo estudo investiga.

Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.

✦
Continue lendo. Continue perguntando.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
@entrerevelacoes · entrerevelacoes.com.br

Quer estudar com caneta na mão?

Este estudo também existe em caderno PDF, com espaço para anotações e sua oração: grátis, feito para guardar.

Baixar o Caderno de Apocalipse 3:9 em PDF
Enviar para alguém

Comentários

Deixe seu comentário, aprendizado ou reflexão. Ele chega direto para mim e pode ser respondido por e-mail. ♡