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Caderno de Estudos · Estudo nº 052 · 404 versículos em 404 dias

Estudo de Apocalipse 3:3: caderno completo e PDF grátis

Leia primeiro. Assista depois. Guarde para sempre.

✦Onde paramos

No versículo 2 Jesus deu duas ordens a Sardes: acorda, e cuida do resto que ainda não morreu. E explicou o motivo: as obras daquela igreja não estavam completas diante de Deus. Começadas, e não terminadas.

A frase com que ficamos foi esta: não começa outra coisa; termina a que ainda respira. Hoje, no versículo 3, Jesus diz como. E o caminho que Ele aponta surpreende, porque não é um caminho novo.

✦Como usar este caderno

Este caderno é para todo mundo, inclusive para quem nunca estudou o Apocalipse. Ore antes de começar. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Sublinhe e escreva nas margens: este caderno é seu. Você vai encontrar algumas palavras em grego; não precisa saber ler grego, porque cada uma vem com a pronúncia aproximada, o número Strong para conferir em qualquer concordância e a explicação em português. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração.

✦Oração de abertura

Senhor, me faz lembrar. Do que eu recebi de Ti e deixei virar costume, da palavra que eu já conheço tão bem que parei de pensar nela. Me acorda antes que a noite chegue, e me encontra de pé. Em nome de Jesus, amém.

✦O versículo de hoje

Apocalipse 3:3
“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

✦Duas palavras que valem a pena ver no original

πῶς (pôs, Strong G4459) é a palavra que vem logo depois de “lembra-te”. A ARA traduz “do que”, mas pôs quer dizer “como”: “lembra-te de como recebeste e ouviste”. Guarde isso, porque muda a leitura da primeira ordem.

εἴληφας (eílēphas, G2983) é “tens recebido”. O verbo está num tempo que o grego usa para uma coisa que aconteceu no passado e cujo resultado continua: você recebeu, e o que recebeu está com você.

✦1. “Pois”: o versículo 3 é o remédio

O versículo começa com uma palavra pequena: “pois”. Aqui ela quer dizer “então”. É a palavra que liga um problema ao seu remédio, como o médico que olha o exame e diz: deu alterado, então toma este remédio. No versículo anterior Jesus mostrou o problema: Sardes dormindo, e o que restou prestes a morrer. Agora vem o “então”. O versículo 3 é o remédio, e o remédio tem três movimentos: lembrar, guardar, arrepender-se.

✦2. “Lembra-te”: o problema de Sardes não era saber

Repare por onde Jesus começa. Depois de dizer “estás morto” e “as tuas obras não estão completas”, a primeira ordem concreta não é “faz mais” nem “trabalha mais”. É “lembra”. Isso conta alguma coisa sobre o que estava errado em Sardes: não era falta de informação. Era esquecimento.

Sardes já tinha recebido tudo. O evangelho chegou ali, alguém pregou, alguém ensinou, eles ouviram e acreditaram. E depois foram esquecendo. Ninguém esquece Jesus de uma vez; ninguém acorda um dia e decide esquecer. É devagar: uma reunião que vira costume, uma palavra que vira frase decorada, uma verdade que a pessoa sabe tão bem que para de pensar nela.

Jesus usou essa mesma ordem com Éfeso, e vale a pena ler as duas lado a lado:

Apocalipse 2:5
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Éfeso precisava lembrar, e Sardes também, mas não da mesma coisa. Éfeso: lembra de onde você caiu. Sardes: lembra do que você recebeu e ouviu. As duas precisavam olhar para trás, não para viver de saudade, mas porque às vezes a pessoa só percebe onde se desviou quando lembra de onde veio. A memória não era o destino; era o caminho para perceber: em algum ponto eu deixei de viver isso. Então, volta.

✦3. “Do que tens recebido e ouvido”

Lembrar do quê? “Do que tens recebido e ouvido.” São dois verbos, e os dois apontam para o começo daquela igreja. Recebido: o evangelho que chegou em Sardes, o presente que foi entregue quando a igreja nasceu. Ouvido: a palavra pregada e lida, aquilo que eles escutaram.

O grego acrescenta um detalhe. “Tens recebido” está num tempo verbal que o português não tem exatamente: ele diz que a ação aconteceu e que o resultado dela permanece. Sardes recebeu, e o que recebeu continuava com ela. Não tinha sido tirado. Estava ali, guardado em algum lugar, esperando ser lembrado. Já “ouviste” é passado simples: aconteceu, está feito.

Há mais um detalhe no original, e ele é bonito. A ARA traduz “do que tens recebido”, mas a palavra grega ali é pôs, que quer dizer “como”. Literalmente: “lembra-te de como recebeste e ouviste”. Existia, claro, uma mensagem recebida, por isso várias traduções dizem “do que”. Mas o texto abre uma possibilidade: Jesus não manda Sardes lembrar só qual era a mensagem. Ele faz aquela igreja voltar, na memória, ao modo como recebeu e ouviu aquilo no começo. Antes da fama, antes da aparência, antes da morte espiritual.

Então a ordem de Jesus não é “procura uma coisa nova”. Sardes não precisava de outra mensagem. Precisava voltar à que já tinha recebido, e voltar ao jeito como a recebeu. O problema daquela igreja não era falta de informação. Ela tinha ouvido, tinha recebido. O problema era que saber não estava produzindo a vida que deveria produzir. Conhecimento que não se guarda não transforma ninguém só porque está na cabeça.

✦ Uma honestidade sobre “do que” e “como”

As duas leituras são possíveis e não se excluem. “Do que” lembra o conteúdo recebido; “como” lembra com que coração ele foi recebido. A ARA escolheu a primeira; o grego, com pôs, aponta para a segunda. O texto sustenta as duas, e quem lê pode guardar as duas.

✦4. “Guarda-o e arrepende-te”

Guardar é uma palavra que o Apocalipse usa desde a primeira página:

Apocalipse 1:3
“Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Ler, ouvir e guardar. Guardar não é pôr na gaveta; é segurar com a vida, é fazer o que se ouviu. E “arrepende-te” é mudar de mente e de direção, a mesma ordem que Jesus já tinha dado a três das igrejas anteriores.

E a mesma palavra volta poucos versículos depois, na carta seguinte, a Filadélfia. Lá Jesus elogia: “guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome” (3:8), e de novo: “porque guardaste a palavra da minha perseverança” (3:10). Sardes recebe como ordem aquilo que Filadélfia já estava fazendo. Para Sardes, “guarda”; para Filadélfia, “guardaste”. Uma precisava voltar a fazer; a outra era elogiada porque permaneceu fazendo.

Arrepender-se não é ficar triste nem sentir culpa por alguns minutos e seguir no mesmo caminho. É mudar a maneira de pensar e, com isso, mudar de rumo. E há uma diferença na forma dessas três ordens que vale notar: “lembra” e “guarda” estão numa forma que pede continuidade, continue lembrando, continue guardando; “arrepende-te” vem numa forma decisiva, de uma vez. Há coisas que Sardes precisava viver todos os dias. E havia uma decisão que não podia ser adiada.

Agora repare na sequência: lembra, guarda, arrepende. Primeiro a memória do que foi recebido. Depois segurar isso com a vida. E então a mudança de direção. Não é uma lista de coisas novas para fazer. É o caminho de volta para o que já era verdade. O arrependimento, aqui, não começa com culpa. Começa com lembrança.

Lembra. Guarda. Muda de direção. O arrependimento de Sardes começa pela memória.

✦5. “Se não vigiares”: a porta do “se”

“Porquanto, se não vigiares.” De novo o verbo do versículo 2, vigiar, ficar acordado. E de novo a palavrinha que já apareceu em outras cartas: “se”. Vimos esse “se” em Éfeso (“se não, venho a ti”) e em Pérgamo:

Apocalipse 2:16
“Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

O “se” é a porta aberta. Jesus não diz “como você não vigiou, eu vim”. Ele diz “se você não vigiar, eu venho”. Ainda dá tempo. Ainda é aviso. Em várias cartas o aviso de Jesus vem com um “se” (2:5, 2:16, 2:22 e aqui em 3:3): Ele avisa antes de a porta fechar.

✦6. “Virei como ladrão”: as duas quedas de Sardes

E então a frase que assusta. É fácil entender errado, então vale dizer com calma: Jesus não está dizendo que é um ladrão. Está dizendo que vai chegar do jeito que um ladrão chega. E como um ladrão chega? Sem avisar a hora. De noite. Quando a casa está dormindo. Pelo lado que ninguém trancou.

Para a cidade de Sardes essa imagem não era figura de linguagem. Era a história do lugar. Sardes ficava no alto de um penhasco e passava por inexpugnável: as muralhas e a rocha pareciam dispensar vigia. E ela foi tomada duas vezes por um ponto que ninguém vigiava.

A primeira foi por volta de 547 antes de Cristo (Heródoto não dá o ano; essa é a data mais usada pelos historiadores). Sardes era a capital do rei Creso, um dos homens mais ricos do mundo antigo. Ciro, rei da Pérsia, cercou a cidade e não conseguia tomá-la. O historiador grego Heródoto conta que um soldado persa viu, de longe, um defensor descer pela rocha para apanhar um capacete que tinha caído e subir de volta. Ali havia um caminho que ninguém vigiava, porque todos achavam impossível alguém subir por ali. Depois ele mesmo subiu por esse caminho, outros persas foram atrás, e a cidade que não vigiava foi tomada.

A segunda foi mais de trezentos anos depois, em 214 antes de Cristo. Outro cerco, agora de Antíoco III. O historiador Políbio conta que um soldado chamado Lagoras observou que os abutres pousavam num trecho do penhasco onde o lixo da cidade era jogado: sinal de que ninguém passava por ali. Era, de novo, o ponto não vigiado. Os soldados subiram por ele de madrugada e abriram a porta por dentro. Assim tomaram a cidade; a cidadela, no alto, só se rendeu depois, por traição (Políbio, Histórias 8.15 a 21).

Duas quedas, e nas duas a mesma falha: um ponto que ninguém vigiava. Sardes foi tomada como um ladrão toma uma casa. Então, quando Jesus diz à igreja daquela cidade “se não vigiares, virei como ladrão”, Ele está dizendo com a história deles: o que aconteceu com a sua cidade vai acontecer com você. Vou chegar e você não vai estar pronto.

✦ O que é texto bíblico e o que é história

As duas quedas de Sardes não estão na Bíblia. Estão em Heródoto (Histórias 1.84) e em Políbio (Histórias 7.15 a 7.18), historiadores gregos. Algumas obras dão 215 antes de Cristo para a segunda queda. Apocalipse 3:3 não cita esses episódios; ele usa a imagem do ladrão, que já era uma imagem de Jesus e dos apóstolos.

É provável que a igreja de Sardes conhecesse essa história. A ligação entre a frase e a cidade é leitura de comentaristas como William Ramsay, e é uma leitura forte, mas é leitura.

✦7. O ladrão em todo o Novo Testamento

A imagem não nasceu em Sardes. Jesus usou primeiro, falando aos discípulos sobre a própria volta:

Mateus 24:42-44
“Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Lucas registra o mesmo ensino, em outro momento, com as mesmas peças: o ladrão, a hora desconhecida, o dono da casa que deveria estar acordado (Lucas 12:39-40). Depois os apóstolos repetiram. Paulo, escrevendo para a igreja de Tessalônica, na Grécia:

1 Tessalonicenses 5:2
“pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

E logo adiante Paulo junta as mesmas peças de Sardes: “Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios” (5:6). Dormir, acordar, vigiar, ladrão, uma chegada que surpreende. É o mesmo conjunto de imagens. Pedro diz a mesma coisa:

2 Pedro 3:10
“Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

E o próprio Apocalipse repete, muito mais à frente. No capítulo 16, no meio de uma das cenas mais duras do livro, a voz de Jesus interrompe a narrativa e diz:

Apocalipse 16:15
“Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Repare nas palavras: venho como ladrão, aquele que vigia, guarda as suas vestes. São as palavras de Sardes. Vigiar e guardar estão no versículo de hoje; as vestes aparecem no versículo seguinte, quando Jesus fala das poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras. O capítulo 16 é como um eco da carta a Sardes para o livro inteiro.

✦8. Um “se” que muda a leitura: visita ou volta final?

Aqui surge uma pergunta. Quando Jesus diz “virei como ladrão”, Ele está falando da volta dEle no fim da história? Olhe de novo para a frase: “se não vigiares, virei”. Tem um “se” aí. Agora pense: a volta de Jesus tem “se”? Não tem. Jesus vai voltar com Sardes acordada ou com Sardes dormindo; a volta dEle não depende do que uma igreja faz ou deixa de fazer. Mas nesta frase a vinda depende: se Sardes vigiar, essa vinda não acontece; se não vigiar, Ele vem, e vem “contra ti”, contra aquela igreja.

Por causa desse “se”, há comentaristas que entendem que aqui Jesus não está marcando o último dia. Está avisando de uma visita de julgamento àquela igreja, naquele tempo. Ele já tinha falado assim antes, a Éfeso: se não te arrependeres, venho a ti e tiro o teu candeeiro do lugar. Um “se” e uma visita. Só que para Sardes Jesus escolheu as palavras da volta dEle: ladrão, hora que ninguém sabe, vigiar. Por quê? Porque a regra é a mesma. No último dia, quem estiver dormindo vai ser pego de surpresa. E Jesus diz a Sardes: você não precisa esperar o último dia para isso acontecer com você. Se continuar dormindo, eu venho antes.

O que aconteceria com Sardes é uma amostra pequena do que vai acontecer com o mundo inteiro. A volta de Jesus é certa, não tem “se”. O “se” aqui é para Sardes, e é a parte boa do aviso: significa que ainda dá tempo.

✦ O que este caderno não está dizendo

Não está dizendo que Apocalipse 3:3 não tem nada a ver com a volta de Jesus. As palavras são as mesmas, de propósito, e Apocalipse 16:15 usa a mesma imagem para o fim. O que o “se” mostra é que a frase, dita a Sardes, é um aviso condicional àquela igreja, com a linguagem do fim emprestada para dar peso.

Há leitores que entendem a frase como referência direta à volta final. As duas leituras existem entre os comentaristas; o “se” é o argumento mais forte da primeira.

A volta de Jesus não tem “se”. O “se” é de Sardes, e é a parte boa do aviso: ainda dá tempo.

✦9. “Não conhecerás de modo algum em que hora”

“De modo algum” traduz, no original, duas negações juntas, o jeito mais forte de dizer “de jeito nenhum”. Não é “talvez você não descubra”. É “você de jeito nenhum vai saber”. E isso importa: Jesus não entrega uma data a Sardes, não manda a igreja calcular, não manda descobrir o horário. A solução não era descobrir quando Ele viria. Era estar acordada antes que Ele viesse.

E veja como isso combina com a história da cidade. O problema das antigas quedas de Sardes não era a falta de um aviso dizendo “o inimigo entra às quatro da manhã”. O problema era que não estavam vigiando. Quem está acordado não precisa saber a hora.

E há um detalhe no fim do versículo. Em Pérgamo Jesus disse “venho a ti e contra eles pelejarei”: separou a igreja do grupo que estava errado. Em Sardes não há “eles”. Não há Jezabel, não há nicolaítas, não há um partido a ser combatido. O problema é a própria igreja. Por isso aqui é “contra ti”. É duro. Mas ainda está dentro do “se”: “se não vigiares”. A porta continua aberta.

✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?

Jesus não desiste de uma igreja porque ela se afastou do que recebeu. Ele chama de volta: lembra, guarda, arrepende-te. Ele não entrega uma novidade para produzir empolgação; leva Sardes de volta à verdade que ela já tinha.

A paciência de Jesus não quer dizer que o chamado pode ser ignorado para sempre. Existe graça no aviso, e existe urgência: “se não vigiares, virei”. Ele avisa antes, chama antes, manda acordar antes, dá a oportunidade de arrependimento. Mas o aviso precisa ser levado a sério. Ladrão de verdade não manda carta. Jesus mandou.

Jesus fala a língua da cidade. Ele não fala com Sardes com as palavras de Éfeso. Fala com a história de Sardes: o penhasco, o ponto sem guarda, o vigia que não estava lá.

✦Aplicação para a minha vida

Talvez a pergunta de hoje não seja “o que eu ainda preciso aprender”. Talvez seja “o que eu já sei e parei de viver”. Às vezes a gente procura uma palavra nova quando Jesus está lembrando a palavra antiga que ainda não obedecemos. Talvez você não precise de mais informação. Talvez precise guardar aquilo que já recebeu: alguma coisa que Deus já te mostrou e que foi virando costume.

E a outra pergunta: onde eu estou tão confortável que parei de vigiar? Sardes foi surpreendida justamente onde se sentia mais segura. Talvez a área que mais precisa de atenção seja aquela sobre a qual pensamos “com isso eu nunca vou ter problema”. Não é para viver com medo. É para não viver dormindo.

✦Resumo do estudo

  1. A primeira ordem a uma igreja morta não é “faz mais”, é “lembra”: o problema de Sardes não era falta de saber, era esquecimento.
  2. No grego é “lembra-te de como recebeste”: não só a mensagem, mas o jeito como foi recebida no começo. E “recebido” está num tempo que diz: aconteceu e continua valendo.
  3. Guardar é o verbo de 1:3 e o elogio a Filadélfia (3:8 e 3:10): para Sardes, “guarda”; para Filadélfia, “guardaste”.
  4. A sequência é lembra, guarda, arrepende. O arrependimento começa pela memória, não pela culpa.
  5. Em várias cartas o aviso de Jesus vem com um “se”. Ele avisa antes de a porta fechar.
  6. Sardes foi tomada duas vezes por um ponto que ninguém vigiava (por volta de 547 e em 214 a.C.). “Virei como ladrão” fala a língua da cidade.
  7. A imagem do ladrão atravessa o Novo Testamento: Mateus 24, Lucas 12, 1 Tessalonicenses 5, 2 Pedro 3 e Apocalipse 16:15.
  8. O “se” mostra que a frase é um aviso àquela igreja, com a linguagem da volta de Jesus emprestada: a volta não tem “se”; o “se” é de Sardes, e é a parte boa.
  9. Ninguém recebe a hora. A solução não era descobrir quando Ele viria; era estar acordado antes.

✦Versículos para ler junto

A vinda como ladrão, do Evangelho ao Apocalipse: Mateus 24:42-44 · Lucas 12:39-40 · 1 Tessalonicenses 5:1-6 · 2 Pedro 3:10 · Apocalipse 16:15. Ajudam a ver que a frase de Sardes não é isolada: é a linguagem fixa de Jesus e dos apóstolos para a volta dEle.

“Lembra-te” nas cartas: Apocalipse 2:5 (Éfeso) · Apocalipse 3:3 (Sardes). Duas igrejas corrigidas pela memória, uma que esqueceu o amor e outra que esqueceu a vida.

Guardar a Palavra: Apocalipse 1:3 · Apocalipse 3:8 · Apocalipse 3:10 · Apocalipse 22:7 · João 14:23. Guardar é fazer, não arquivar.

O “se” que mantém a porta aberta: Apocalipse 2:5 · Apocalipse 2:16 · Apocalipse 2:22 · Apocalipse 3:3. Em todas o aviso vem antes da consequência.

Vigiar: Marcos 13:33-37 · Marcos 14:37-38 · Apocalipse 3:2. O mesmo verbo do Getsêmani e de Sardes.

✦Fontes e referências deste estudo

O texto bíblico em português é a Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferido versículo por versículo. O texto grego do Novo Testamento foi conferido nas edições Nestle-Aland e SBLGNT, com a numeração de Strong (pôs, G4459; eílēphas, G2983, no perfeito). A observação de que “ladrão” aparece só em 3:3 e 16:15 no Apocalipse foi conferida no texto grego.

A leitura “lembra-te de como recebeste” (por causa de pôs) é registrada por comentaristas como G. K. Beale (The Book of Revelation) e Grant Osborne (Revelation). As duas quedas de Sardes estão em Heródoto, Histórias 1.84 (a tomada por Ciro, com o episódio do capacete) e em Políbio, Histórias 7.15 a 7.18 (a tomada por Antíoco III, com Lagoras e os abutres); são relatos históricos, não texto bíblico, e a ligação deles com a frase de Jesus é leitura de comentaristas, entre eles William Ramsay (The Letters to the Seven Churches) e Colin Hemer (The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting).

✦Para refletir

1. O que eu já sei e parei de viver? Que palavra antiga de Deus eu ainda não obedeci?

2. Qual é o lado da minha vida que eu não vigio porque acho que ali ninguém sobe?

3. Se Jesus chegasse hoje, Ele me encontraria acordado ou dormindo? O que muda a partir de amanhã?

✦Minhas anotações

✦Minha oração

✦No próximo estudo

No meio de uma igreja morta, Jesus encontra gente viva. “Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.” Numa cidade que os antigos ligavam ao tingimento de lã, o que quer dizer não sujar a roupa? E o que é andar de branco com Jesus? É isso que o próximo estudo investiga, em Apocalipse 3:4.

Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.

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Continue lendo. Continue perguntando.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
@entrerevelacoes · entrerevelacoes.com.br

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