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Caderno de Estudos · Estudo nº 028 · 404 versículos em 404 dias

Estudo de Apocalipse 2:8: caderno completo e PDF grátis

Leia primeiro. Assista depois. Guarde para sempre.

✦Onde paramos

No último estudo, fechamos a primeira carta do Apocalipse: a carta de Éfeso. Vimos a promessa da árvore da vida e descobrimos a amarração da carta inteira: ela abre com Jesus andando no meio dos candeeiros e fecha com o jardim de volta.

Hoje viramos a página e começamos uma carta nova: a segunda das sete. Ela vai para Esmirna, e, logo na apresentação, Jesus escolhe um título para Si mesmo que encaixa com a história daquela cidade de um jeito impressionante. Para entender o tamanho do encaixe, este caderno vai te contar a história de Esmirna inteira: a beleza, a destruição, os séculos vivendo em aldeias e a ressurreição de uma cidade.

✦Como usar este caderno

Este caderno é para todo mundo: para quem nunca estudou o Apocalipse, para quem sempre quis entender e achou difícil, e para quem já conhece o livro e quer ir mais fundo. Você não precisa saber nada antes de começar.

  1. Ore. Faça a oração de abertura ou converse com Deus com as suas palavras.
  2. Leia o versículo. Devagar, duas vezes. Se puder, em voz alta.
  3. Estude. Sublinhe, marque e escreva nas margens. Este caderno é seu.
  4. Anote. No fim há uma página reservada para o que Deus falou com você.
  5. Ore novamente. Termine conversando com Deus sobre o que aprendeu.

✦Oração de abertura

Senhor Jesus, obrigada porque Tu falas com cada um do jeito que cada um precisa ouvir. Tu conheces a minha história, os meus medos e as minhas ruínas. Fala comigo hoje como falaste com Esmirna, como Aquele que já atravessou a morte e voltou. Em teu nome, amém.

✦O versículo de hoje

Apocalipse 2:8
“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver:”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Um versículo curto, mas guarde a frase do título: “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Ela é a chave de tudo o que vem pela frente nesta carta.

✦ Palavras que ajudam a entender

✦1. A receita continua, e o título nunca é aleatório

Antes de qualquer coisa, lembre da estrutura que descobrimos na carta de Éfeso: todas as sete cartas seguem a mesma receita. Sempre começam com “ao anjo da igreja em tal lugar, escreve”, e logo depois Jesus se apresenta com um título. E esse título nunca é aleatório: é sempre tirado da visão do capítulo 1, e é sempre escolhido com cuidado para aquela igreja específica.

Para Éfeso, que estava esfriando por dentro, Ele se apresentou como aquele que anda no meio dos candeeiros: eu estou presente. E para Esmirna, Ele escolheu este: “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”.

Por que esse? A resposta está na história da cidade, e ela é uma das mais impressionantes de toda a região.

✦2. Conheça Esmirna: a cidade coroada

Esmirna ficava uns cinquenta quilômetros ao norte de Éfeso, subindo a costa. E era uma cidade linda. Enquanto Éfeso era a maior e a mais rica, Esmirna era conhecida como a mais bonita da região (as moedas da cidade diziam “primeira da Ásia em beleza e tamanho”, segundo W. M. Ramsay, The Letters to the Seven Churches of Asia, 1904).

Ela tinha um porto que podia ser fechado, como conta Estrabão (Geografia 14.1.37). Tinha ruas largas e organizadas, e uma avenida famosa, conhecida como a Rua de Ouro (o orador Élio Aristides, no século 2, fala dela várias vezes; citado por Ramsay), que subia a encosta ligando templos de uma ponta a outra. E tinha uma colina no alto, o monte Pagos. William Ramsay (Letters, cap. 19) achava que os prédios em volta dela davam à cidade o aspecto de uma coroa, e que daí vinha a expressão “coroa de Esmirna”.

Aliás, a “coroa” aparece nas fontes antigas sobre Esmirna: o orador Élio Aristides compara a cidade a uma estátua, com os pés na praia, subindo até a acrópole, e em outro discurso a chama de “coroa da Jônia”; e Apolônio de Tiana, na biografia escrita por Filóstrato, diz que é melhor ser coroado de pessoas do que de prédios. A expressão exata “coroa da Ásia” não aparece nessas fontes. Guarde esse detalhe, porque daqui a dois versículos, nesta mesma carta, Jesus vai prometer uma coroa para essa igreja (2:10). Mais uma vez, Ele fala a língua da cidade.

✦3. A história que muda tudo: a cidade que morreu

Mas o detalhe mais impressionante de Esmirna não é a beleza. É a história. E é aqui que a apresentação de Jesus fica extraordinária.

Esmirna era uma cidade muito antiga. E, por volta do ano 600 antes de Cristo, ela foi atacada por um reino vizinho: o reino da Lídia, o mesmo reino do famoso rei Creso, cuja capital era Sardes (outra das sete cidades da nossa lista!). E Esmirna foi destruída.

Estrabão, geógrafo do tempo de Jesus, conta que os lídios arrasaram a cidade e que o povo viveu uns 400 anos em aldeias (Geografia 14.1.37). Pelas datas que William Ramsay usa, de 600 a.C. até a cidade nova, por volta de 290 a.C., foram uns trezentos anos. Pense nesse tempo: é mais do que o Brasil tem de existência como país independente. O lugar não ficou vazio: virou vila. Mas, como cidade, Esmirna estava morta.

…e voltou a viver

Mas séculos depois, já no tempo dos gregos, Esmirna foi reconstruída. E não de qualquer jeito: foi replanejada, com as ruas organizadas, com aquele porto maravilhoso, com a colina do Pagos. E voltou a crescer, até se tornar uma das cidades mais importantes e mais bonitas de toda a região.

✦ Você sabia? O sonho que refundou a cidade

Os escritores antigos contavam que a reconstrução de Esmirna começou com Alexandre, o Grande. Segundo a tradição registrada pelo geógrafo Pausânias, Alexandre teria adormecido debaixo de um plátano, junto a um santuário das deusas Nêmesis, no monte Pagos, depois de uma caçada; no sonho, elas mandaram fundar ali uma cidade. O oráculo de Claros confirmou: “três, sim, quatro vezes felizes serão os que morarem no Pagos” (Pausânias, Descrição da Grécia 7.5.1-3). Os generais que vieram depois dele tocaram a obra, e a nova cidade nasceu planejada, no local onde ficou até hoje.

Verdade ou lenda de fundação, o ponto é este: os moradores tinham orgulho dessa história. A morte e a ressurreição da cidade eram parte da identidade deles: era a história que eles contavam sobre si mesmos.

Agora leia de novo, com essa história na cabeça, o que Jesus fala para essa igreja: “estas coisas diz… que esteve morto e tornou a viver”.

Jesus se apresenta para a cidade que morreu e ressuscitou…
como Aquele que morreu e ressuscitou.

Não é coincidência. É como se Ele dissesse: vocês conhecem essa história de morrer e voltar a viver, é a história da cidade de vocês. Mas Eu não sou uma cidade reconstruída por reis e arquitetos. Eu sou a própria Vida. Eu estive morto… e vivo.

E isso muda tudo para a igreja que vai receber esta carta. Porque, como veremos nos próximos versículos, Esmirna era uma igreja que sofria: perseguição, pobreza, ameaça de prisão, e, para alguns, ameaça de morte. Era a igreja que mais precisava ouvir exatamente isto: o Senhor de vocês já passou pela morte. E voltou. Para quem teme a morte, não existe apresentação mais poderosa.

✦4. “O primeiro e o último”: o título que é assinatura de Deus

E há outro pedaço do título que não pode passar batido. Se você está conosco desde o capítulo 1, essa expressão já apareceu: foi quando João caiu como morto aos pés da visão, e Jesus pôs a mão direita sobre ele e disse “não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos” (1:17-18). A carta a Esmirna retoma, palavra por palavra, a cena mais consoladora do capítulo 1.

E de onde vem esse título? Lá do Antigo Testamento, e da boca do próprio Deus:

Isaías 44:6
“Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.”
Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Em Isaías, “o primeiro e o último” é a assinatura exclusiva do Deus de Israel (veja também Isaías 48:12). Então, quando Jesus usa esse título para falar com Esmirna, Ele está dizendo duas coisas ao mesmo tempo.

A primeira: Eu sou Deus. Eu estava antes de tudo, e estarei depois de tudo. Antes de o império romano existir, Eu já era. Depois de o império romano acabar, Eu ainda serei. Para uma igreja esmagada por um império que parecia eterno, essa é a primeira âncora.

A segunda: Eu também conheço a morte por dentro. Não de longe, não de ouvir falar. “Estive morto.” Um Deus eterno, que também atravessou a morte, e venceu.

Ele não mandou um recado de longe dizendo “tenham coragem”.
Ele entrou na história, foi até o fim, até a morte, e voltou.
Quando fala com quem tem medo de morrer, fala como quem já esteve exatamente ali.

✦ Para ir mais fundo: “primeiro e último” e “Alfa e Ômega”

O Apocalipse usa três títulos irmãos, e vale ver como eles se encontram: “o Alfa e o Ômega” (1:8, na boca de Deus), “o primeiro e o último” (1:17 e 2:8, na boca de Jesus), e, no último capítulo, os três aparecem juntos, aplicados a Jesus de uma vez: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (22:13). O livro abre e fecha costurando a divindade de Jesus com os títulos do próprio Deus: exatamente o que estudamos no caderno 008.

✦5. Uma carta sem nenhuma crítica

Antes de seguirmos, repare numa marca rara desta carta: das sete igrejas, apenas duas não recebem nenhuma palavra de correção: Esmirna e Filadélfia. Nenhum “tenho, porém, contra ti”. Nada.

E repare em quais duas: justamente a igreja pobre e perseguida, e a igreja pequena e de “pouca força” (3:8). As duas igrejas que o mundo olharia com pena são as duas que atravessam a inspeção dAquele que tem olhos como chama de fogo… sem uma única repreensão. Isso já prepara o que vem no próximo versículo: os critérios de Jesus não são os critérios da cidade.

✦ Você sabia? A carta viva de Esmirna

A história de Esmirna com a fidelidade não terminou nesta carta. Uns quinze anos depois desta carta, por volta do ano 110, o bispo daquela mesma igreja já era Policarpo (Inácio, Carta a Policarpo, saudação): aquele que conhecemos no estudo dos nicolaítas, que, segundo Irineu, tinha convivido com o apóstolo João (Eusébio, História Eclesiástica 5.20.6).

Por volta do ano 155 ou 156, já muito velho, Policarpo foi preso em Esmirna e levado ao estádio. Pediram que ele dissesse “César é Senhor” e queimasse incenso; no estádio, que jurasse pela fortuna de César e amaldiçoasse Cristo (Martírio de Policarpo 8.2; 9.2-3). Ele recusou. Um documento antigo, o Martírio de Policarpo: um dos relatos de martírio mais antigos que existem fora do Novo Testamento, registra a resposta dele: havia oitenta e seis anos que servia a Cristo, e Cristo nunca lhe tinha feito mal algum; como poderia blasfemar do seu Rei? (Martírio de Policarpo 9.3)

A igreja que recebeu “sê fiel até a morte” (2:10) foi, décadas depois, o palco de uma das fidelidades até a morte mais lembradas da história. A carta não caiu no vazio: criou raiz.

✦6. O nome da cidade: Esmirna e a mirra

Há ainda uma curiosidade no próprio nome. Em grego, “smýrna” é a palavra para “mirra”: a mesma de Mateus 2:11 e João 19:39. Por que a cidade ganhou esse nome, ninguém sabe ao certo. A mirra é a resina perfumada que aparece em momentos marcantes da Bíblia: no óleo sagrado da unção (Êxodo 30:23), nos presentes dos magos ao menino Jesus (Mateus 2:11) e no sepultamento de Jesus, entre os aromas trazidos por Nicodemos (João 19:39). Presente no começo… e presente na morte.

E há uma característica da mirra que dá o que pensar: Plínio, o Velho, conta que a árvore da mirra recebia cortes na casca duas vezes por ano para soltar a resina (História Natural, livro 12, capítulo 35).

Uma observação de honestidade, como sempre: a Bíblia não faz essa ligação entre o nome da cidade e a igreja: o texto não diz isso. Mas é uma imagem que ajuda a entender o que vem pela frente nesta carta: uma igreja esmagada pela dor… que exalava fidelidade.

✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?

Um Jesus que escolhe as palavras com um cuidado impressionante. Ele conhecia a história daquela cidade, sabia o que aquele povo carregava na memória, e escolheu se apresentar exatamente do jeito que aquela igreja precisava ouvir.

Um Jesus que é Deus eterno: o primeiro e o último, maior que qualquer império que ameaçava aquela gente.

E um Jesus que conhece a morte por dentro, e voltou dela, e por isso pode olhar para quem tem medo e dizer: Eu sei o que é. E não termina ali.

✦Aplicação para a minha vida

1. Jesus fala com você do jeito que você precisa ouvir. Ele não tem uma resposta genérica, decorada, para todo mundo. Do mesmo jeito que escolheu para Esmirna o título que fazia sentido para a história de Esmirna, Ele conhece a sua história, os seus medos, as suas ruínas, e sabe exatamente qual palavra você precisa escutar.

2. Se você está passando por algo que parece um fim, lembre de quem está falando. Quem diz “eu estive morto e tornei a viver” tem autoridade para falar sobre finais. Esmirna passou séculos como vila, e o melhor capítulo dela ainda estava por vir. Na história de Deus, o que parece o fim muitas vezes é o meio do caminho.

3. Repare no que Jesus NÃO prometeu. Ele não disse a Esmirna que nada de ruim aconteceria: Ele começou lembrando que Ele mesmo passou pela morte. Nem sempre a resposta de Deus é tirar a gente da situação. Às vezes é atravessar junto, como alguém que já conhece o caminho.

✦Resumo do estudo

PARA GUARDAR NO CORAÇÃO

Para a cidade que morreu e voltou a viver, Jesus se apresenta:
“Eu estive morto e tornei a viver.” Ele fala com cada um na língua da sua história.

✦Versículos para ler junto

✦Para refletir

1. Que “ruína” da sua história parece definitiva? O que muda ao lembrar que Esmirna passou séculos como vila, e o melhor ainda estava por vir?

2. Se Jesus escolhesse hoje um título para se apresentar a você, sob medida para a sua história, como fez com Esmirna, qual seria?

3. Deus nem sempre tira a gente da situação; às vezes atravessa junto. Onde você tem pedido “tira-me daqui”, e talvez a resposta seja “Eu vou contigo”?

✦Minhas anotações sobre Apocalipse 2:8

O que Deus falou com você neste estudo? Escreva aqui. Não precisa ser bonito. Precisa ser verdadeiro.

✦Minha oração

Agora é a sua vez de falar com Deus. Se quiser, use esta oração como ponto de partida:

Senhor Jesus, Tu és o primeiro e o último: estavas antes de tudo o que me ameaça, e estarás depois. E Tu estiveste morto e tornaste a viver: conheces por dentro o que eu mais temo. Fala comigo na língua da minha história, e, quando eu estiver diante do que parece um fim, lembra-me de que, Contigo, o fim costuma ser o meio do caminho. Amém.

Ou escreva a sua própria oração:

✦No próximo estudo

Apocalipse 2:9: Conheço a tua pobreza… mas tu és rico

Jesus vai olhar para essa igreja pobre, perseguida, sofrendo… e vai dizer uma frase que parece não fazer sentido nenhum: “conheço a tua pobreza, mas tu és rico”. Pobre e rica ao mesmo tempo. Como? A gente descobre no próximo versículo.

Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.

✦
Continue lendo. Continue perguntando.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
@entrerevelacoes · entrerevelacoes.com.br

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