✦Onde paramos
No versículo 18 começou a quarta das sete cartas, a carta a Tiatira. E antes de dizer uma palavra sobre aquela igreja, Jesus disse quem Ele é: o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido. Título de autoridade tirado do Salmo 2, olhos que atravessam e pés de metal tratado no fogo, numa cidade que vivia de forja e de oficina.
A frase com que ficamos foi essa: os olhos que veem o que você esconde são os mesmos que veem o que ninguém reconhece. Agora, no versículo 19, esses olhos falam. E a primeira coisa que eles dizem não é uma acusação. É uma lista.
✦Como usar este caderno
Este caderno é para todo mundo: para quem nunca estudou o Apocalipse, para quem sempre quis entender e achou difícil, e para quem já conhece o livro e quer ir mais fundo. Ore antes de começar, com a oração abaixo ou com as suas palavras. Leia o versículo devagar, duas vezes, se puder em voz alta. Sublinhe, marque e escreva nas margens: este caderno é seu. No fim há uma página para as suas anotações e outra para a sua oração. Você vai encontrar algumas palavras em grego; não precisa saber ler grego, porque cada uma vem com a pronúncia aproximada, o número Strong para conferir em qualquer concordância e a explicação em português.
✦Oração de abertura
Senhor, o Senhor vê o que ninguém vê. Vê o que eu faço quando não tem ninguém olhando, e vê o quanto eu já mudei sem perceber. Hoje, tira de mim a mania de me medir pelos outros. Me ensina a olhar para trás e enxergar a Tua mão. Em nome de Jesus, amém.
✦O versículo de hoje
✦Quatro palavras que valem a pena ver no original
ἀγάπη (agápē, Strong G26) é a palavra que a ARA traduz por “amor”. Nos dicionários gregos ela não descreve primeiro um sentimento que sobe, e sim uma escolha deliberada de querer o bem de alguém. É a mesma palavra que aparece na carta a Éfeso, quando Jesus diz que aquela igreja tinha abandonado o seu “primeiro amor”.
πίστις (pístis, G4102) pode significar duas coisas parecidas mas não idênticas: crer, no sentido de estar convencido da verdade de algo, e ser fiel, no sentido do caráter de quem se pode confiar. As duas estão registradas nos léxicos, e aqui os tradutores se dividem.
διακονία (diakonía, G1248) é “serviço”. É a palavra de onde vem a nossa palavra “diácono”. No Novo Testamento ela é usada para o atendimento concreto de quem precisa, inclusive para a distribuição diária de alimento às viúvas em Atos 6.
ὑπομονή (hypomonḗ, G5281) é “perseverança”. A palavra é formada por hypó, que quer dizer “debaixo”, e ménō, que quer dizer “permanecer”. Literalmente: permanecer debaixo. Ficar sob o peso sem sair de baixo dele.
✦ Uma honestidade sobre a palavra “fé”
Os léxicos gregos registram os dois sentidos de pístis, crer e ser fiel, e não há acordo sobre qual está em Apocalipse 2:19. O léxico de Thayer classifica esta ocorrência no sentido de crer. Comentaristas como Barnes e Gill puxam para fidelidade. Traduções modernas em inglês como a CSB e a GNT escrevem diretamente “fidelidade”.
Então isto é escolha de tradução, não fato do dicionário. Se você ler “fé” pensando em confiança em Deus, está dentro do texto. Se ler pensando em ser alguém de palavra, também. O que não dá é apresentar uma das duas como se fosse a única.
✦1. “Conheço”: a palavra com que Jesus abre
O versículo começa com um verbo, e é o mesmo verbo com que Jesus abriu a carta a Éfeso: conheço. No grego, οἶδα (oîda). Não é “me contaram”, não é “ouvi falar”, não é “imagino”. É saber.
E repare onde essa palavra está: logo depois de Jesus ter dito, no versículo anterior, que tem os olhos como chama de fogo. Primeiro Ele mostra os olhos. Depois Ele diz o que os olhos veem.
Isso tem dois lados, e os dois estão nesta mesma carta. Se Ele conhece, Ele conhece o que está errado, e daqui a um versículo Ele vai dizer exatamente isso. Mas se Ele conhece, Ele conhece também o que ninguém percebeu. E é por aí que Ele começa.
✦2. Obras: a palavra que abre e fecha o versículo
A primeira coisa da lista é ἔργα (érga, G2041), “obras”. E ela aparece duas vezes: no começo do versículo e de novo no fim, quando Jesus fala das “últimas obras”. O versículo é uma espécie de moldura, com “obras” nas duas pontas e quatro palavras no meio.
“Obras” aqui não são feitos religiosos extraordinários. São as ações, a vida prática, aquilo que a fé daquela gente estava produzindo no dia a dia.
E isso conversa de um jeito muito direto com a cidade. Tiatira era conhecida pelas suas associações de ofício, as corporações de trabalhadores. As inscrições antigas encontradas ali documentam uma quantidade incomum delas, como observou o historiador William Ramsay (The Letters to the Seven Churches of Asia, 1904): trabalhadores de lã e de linho, fabricantes de roupas, tintureiros, curtidores, oleiros, padeiros, comerciantes e trabalhadores do bronze. Era uma cidade onde, todo dia, alguém fazia alguma coisa com as próprias mãos.
A Bíblia guarda o nome de uma pessoa dessa cidade:
Como a púrpura de Lídia era tingida, a Bíblia não diz. A ideia de que em Tiatira se usava a raiz de garança é do pesquisador William Ramsay, que segue o francês Clerc, sem fonte antiga. Lídia estava em Filipos quando encontrou Paulo, mas era de Tiatira, uma cidade em que as inscrições registram tintureiros.
Então, quando Jesus escreve “conheço as tuas obras” para Tiatira, Ele está usando a palavra que aquela gente entendia melhor do que ninguém. Só que Ele não está falando de tecido nem de bronze. Está falando do que a vida deles estava produzindo diante de Deus.
✦3. Amor e fé, ou amor e serviço? Por que sua Bíblia pode estar diferente
Aqui aparece uma coisa que confunde muita gente, e é melhor explicar do que fingir que não existe. Se você comparar duas Bíblias em português, vai encontrar duas ordens diferentes de palavras neste versículo.
A Almeida Revista e Atualizada traz: obras, amor, fé, serviço, perseverança. Já a Almeida Revista e Corrigida e a Almeida Corrigida Fiel trazem: obras, amor, serviço, fé, paciência. Serviço e fé trocaram de lugar.
O motivo não é opinião de tradutor. É que existem edições diferentes do texto grego. As edições mais antigas do texto usado na Reforma, conhecido como Texto Recebido, trazem amor, serviço, fé. As edições modernas, que trabalham com os manuscritos mais antigos hoje conhecidos, trazem amor, fé, serviço. A ARA e a NVI seguem estas últimas; a ARC e a ACF seguem a primeira.
Vale saber também que nenhuma dessas ordens muda o sentido do versículo. As mesmas cinco coisas estão elogiadas nas duas. O que muda é o desenho.
✦ Por que isso muda o desenho
Na ordem da ARA, amor e fé ficam juntos, e serviço e perseverança ficam juntos. Aí se lê assim: o amor é o que se sente por dentro, e o serviço é o amor aparecendo por fora; a fé é o que se crê por dentro, e a perseverança é a fé aparecendo por fora. Duas raízes e dois frutos.
Na ordem da ARC, os pares ficam colados de outro jeito: amor e serviço de um lado, fé e paciência do outro. É a mesma ideia com outro arranjo.
Comentaristas clássicos leem o versículo dos dois modos, e nenhum deles resolve a questão do outro. Guarde o essencial, que não depende da ordem: o que estava por dentro apareceu por fora.
E há um lugar do Novo Testamento onde essa ligação aparece escrita de forma ainda mais clara, na primeira carta de Paulo aos cristãos de Tessalônica:
No grego, quatro das palavras desse versículo são exatamente as mesmas de Apocalipse 2:19: obra, fé, amor e perseverança. Paulo liga uma à outra: a fé produz obra, o amor produz trabalho, a esperança produz firmeza. É a mesma lógica.
✦4. Serviço: a palavra de onde vem “diácono”
Diakonía é talvez a menos vistosa da lista. Servir é fazer o que outra pessoa precisa. Ajudar, cuidar, levar, buscar, ouvir.
No Novo Testamento essa palavra tem endereço concreto. Em Atos 6 ela aparece para descrever a distribuição diária de comida às viúvas da igreja de Jerusalém, um trabalho tão prático que foi preciso separar gente só para isso. Comentaristas católicos espanhóis, no comentário dos Professores de Salamanca, leem o serviço de Apocalipse 2:19 exatamente assim: assistência aos pobres.
E serviço tem uma característica que atrapalha o nosso jeito de medir as coisas. Ele quase nunca aparece. Ninguém posta. Ninguém agradece. Quem levou alguém ao médico, quem ficou até tarde arrumando o que os outros bagunçaram, quem ajudou uma pessoa que nunca vai poder retribuir, fez uma coisa que não entra em nenhuma lista.
✦5. Perseverança: permanecer debaixo do peso
A quarta palavra é hypomonḗ, e ela é muito mais forte do que a nossa palavra “paciência” dá a entender. Não é esperar de braços cruzados. É permanecer debaixo.
O grego tem duas palavras que costumam vir traduzidas por paciência, e a diferença entre elas ajuda. μακροθυμία (makrothymía, G3115) é ser lento para irritar, a paciência com pessoas que provocam. Hypomonḗ é aguentar circunstâncias: continuar firme quando a situação não muda. Uma se opõe à explosão de raiva; a outra, à desistência.
Em Apocalipse 2:19 a palavra é a segunda. O que Jesus elogia em Tiatira não é a calma com gente difícil. É a decisão de não largar o peso.
✦ Uma honestidade sobre essa distinção
A separação entre makrothymía e hypomonḗ é clássica. Ela aparece em estudiosos do século XIX como Richard Trench (Sinônimos do Novo Testamento) e Joseph Lightfoot (comentário a Colossenses 1:11). Mas a distinção vale de modo geral, não como regra sem exceção.
Ou seja: serve para entender o peso da palavra, não para virar regra que decide sozinha o sentido de todo versículo.
✦6. “As últimas obras, mais numerosas do que as primeiras”
O versículo termina com uma comparação: as obras de agora eram mais do que as do começo. No grego, πλείονα (pleíona), o comparativo da palavra que significa “muito” ou “muitos”. A frase não tem verbo no original; o “são” é acrescentado pelo tradutor.
E aqui existe uma escolha de tradução que vale a pena conhecer, porque muda o que a pessoa entende. Existem três leituras.
A primeira leitura é de quantidade. Eles faziam mais coisas agora do que antes: mais serviço, mais obras, mais gente atendida. É a leitura que a ARA escolheu ao escrever “mais numerosas”, e que o manual de tradução das Sociedades Bíblicas Unidas defende dizendo que o “mais” provavelmente indica quantidade.
A segunda leitura é de qualidade. As obras de agora eram maiores em valor, não necessariamente em número. É a leitura de comentários clássicos como o Pulpit Commentary, e é o que traduções como a NASB e a espanhola LBLA escrevem quando põem “maiores” no lugar de “mais numerosas”.
A terceira leitura não escolhe entre as duas. Diz que o ponto é o crescimento, e que quantidade e qualidade estão juntas na frase. Ellicott lê assim, falando em progresso; Gill escreve, com todas as letras, que eram “mais em quantidade e maiores em qualidade”.
✦ Uma honestidade sobre “mais numerosas”
O grego comporta as três leituras, e comentaristas sérios defendem cada uma. Não existe aqui uma resposta que o texto obrigue.
O que dá para afirmar com segurança é isto: se você está lendo a ARA, o versículo diz mais, e não melhor. Quem prega “maiores” ou “melhores” está lendo outra versão, e o honesto é dizer qual.
Você decide qual leitura convence mais. Só não apresente a sua escolha como se fosse a única possível.
Existe ainda uma pista boa nessa forma de falar. A mesma estrutura aparece em outros lugares da Bíblia, e quase sempre com o sinal invertido:
E de novo na segunda carta de Pedro: “tornou-se o seu último estado pior que o primeiro” (2 Pedro 2:20). Nos dois casos, o último é pior que o primeiro. Em Apocalipse 2:19 a fórmula é a mesma, com a palavra trocada: o último é mais que o primeiro.
E há um lugar no Antigo Testamento onde ela aparece pelo lado bom, quando Boaz fala com Rute:
✦7. O espelho de Éfeso
Para entender o tamanho desse elogio, é preciso lembrar da primeira das sete cartas. Éfeso trabalhava muito. Jesus elogiou as obras, o esforço, a perseverança. E depois disse:
Repare no que Jesus manda Éfeso fazer: voltar às primeiras obras. Alguma coisa boa tinha ficado para trás. E repare também que Ele não diz “sinta de novo o que sentia”: diz “faça de novo o que fazia”.
Tiatira recebe o contrário. Não é “volta ao começo”. É “as suas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras”. Uma igreja tinha andado para trás; a outra tinha andado para frente.
Esse contraste não é invenção nossa. Vários comentaristas clássicos o marcam de propósito. O comentário de Cambridge escreve, ao pé do versículo, que essa frase está “em contraste com Éfeso, Apocalipse 2:4”. O Expositor’s Greek Testament diz que, “em vez de estar retrocedendo como Éfeso, Tiatira progrediu firmemente”. Entre os expositores brasileiros, Hernandes Dias Lopes resume o par numa frase só: ação sem zelo doutrinário, que é Tiatira, e zelo doutrinário sem ação, que é Éfeso, nenhum dos dois agrada a Jesus.
E note uma coisa: Jesus não compara Tiatira com Éfeso. Ele compara Tiatira com Tiatira. O começo dela e o agora dela.
✦8. O elogio não é o fim da carta
Aqui é preciso parar e dizer uma coisa, senão este versículo vira outra coisa. O versículo 19 é lindo. E ele não é o fim.
Amor, fé, serviço, perseverança, crescimento. E, logo depois, “tenho, porém, contra ti”.
Isso desmonta uma conta que a gente faz sem perceber: a de que, se estou crescendo em algumas áreas, as outras estão automaticamente resolvidas. Em Tiatira as obras estavam aumentando e a tolerância a um ensino falso estava aumentando junto. As duas coisas cresceram ao mesmo tempo, na mesma igreja.
✦ O que este caderno não está dizendo
Não está dizendo que crescer em obras compensa erro de doutrina ou de conduta. A própria carta prova o contrário no versículo seguinte.
Também não está tratando Tiatira como o símbolo de uma era da história da igreja. Essa leitura existe e é popular, mas o texto não a afirma: a carta foi escrita para uma igreja real, numa cidade real, com um problema concreto e datado. Ler assim não é errado por si só; só não pode ser apresentado como o que o versículo diz.
E não está dizendo que “as últimas obras maiores que as primeiras” é uma promessa de crescimento de igreja, de prosperidade ou de virada de vida. É uma constatação que Jesus faz sobre uma comunidade específica, não uma garantia dada a quem lê.
✦O que este versículo está me mostrando sobre Jesus?
Primeiro: Ele conhece. E conhecer, aqui, não é só saber o que está errado. Às vezes falamos tanto de um Deus que vê o pecado que esquecemos que Ele vê a fidelidade também. Os mesmos olhos de fogo do versículo 18 que veem Jezabel são os que veem o serviço de gente que ninguém elogiou.
Segundo: Ele reconhece o que ninguém reconhece. Serviço quase não aparece. Perseverança não recebe aplauso. Jesus faz uma lista e põe as duas nela.
Terceiro: Ele percebe crescimento. Ele sabia como aquela igreja tinha começado e sabia como ela estava agora. Nada do caminho se perdeu.
Quarto: Ele começa pelo elogio. Tinha uma correção séria para fazer, e ainda assim a primeira palavra foi “conheço”, e a primeira lista foi das coisas boas. Corrigir depois de reconhecer é diferente de corrigir de saída.
✦Aplicação para a minha vida
A comparação cansa. A gente olha para a vida do outro e pensa: ele faz mais, ela sabe mais, ele cresceu mais, ela consegue melhor. E sem perceber começa a medir a própria caminhada com a régua de outra pessoa.
Jesus não fez isso com Tiatira. Não disse “vocês estão melhores que Éfeso” nem “estão piores que Pérgamo”. Olhou o começo daquela igreja e olhou o agora dela.
Talvez a pergunta certa não seja “eu sou melhor do que quem?”. Talvez seja: eu estou melhor do que eu estava? Um pouco mais paciente. Um pouco mais fiel. Um pouco mais disposto a servir. Um pouco menos orgulhoso. Um pouco mais perto de Deus.
E se você olhar e achar que cresceu pouco, vale lembrar que pouco também é crescimento. Se hoje você segurou uma palavra que antes teria jogado na cara de alguém, isso é avanço. Se orou cinco minutos quando antes não orava, isso é avanço. Se caiu, mas levantou mais rápido do que da outra vez, alguma coisa está mudando.
Existe uma cena no Evangelho que ajuda a enxergar como Jesus mede:
No meio de tanta gente e de tanto dinheiro, Ele viu duas moedinhas. E disse que aquilo era mais. Não porque a conta bancária dissesse isso, mas porque Ele estava medindo outra coisa.
É o mesmo olhar de Apocalipse 2:19. Ele está contando o amor, a fé, o serviço, a perseverança. E está contando o quanto isso cresceu desde que você começou.
✦Resumo do estudo
- “Conheço” abre o versículo com o mesmo verbo da carta a Éfeso, logo depois dos olhos como chama de fogo. Ele sabe, não ouviu falar.
- “Obras” aparece nas duas pontas do versículo, e é a palavra que a cidade das oficinas entendia melhor do que ninguém.
- Amor, fé, serviço e perseverança vêm em ordens diferentes na ARA e na ARC, porque seguem edições diferentes do texto grego. O sentido não muda: o que estava por dentro apareceu por fora.
- Serviço é diakonía, a palavra de onde vem “diácono”, usada no Novo Testamento para o cuidado concreto de quem precisa.
- Perseverança é hypomonḗ, “permanecer debaixo”: aguentar a circunstância sem largar o peso.
- “Mais numerosas do que as primeiras” tem três leituras defendidas por comentaristas sérios: quantidade, qualidade, ou as duas juntas. A ARA escolheu quantidade.
- O espelho de Éfeso: lá Jesus manda voltar às primeiras obras; aqui Ele diz que as últimas passaram as primeiras. E compara Tiatira com Tiatira, não com outra igreja.
- O elogio não é o fim: no versículo seguinte vem “tenho, porém, contra ti”. Crescimento e conivência estavam crescendo juntos.
✦Versículos para ler junto
Para ver o contraste com Éfeso: Apocalipse 2:2 a 2:5. É a igreja que trabalhava muito e tinha deixado o primeiro amor para trás.
Para ver as mesmas palavras em Paulo: 1 Tessalonicenses 1:3 e 2 Tessalonicenses 1:3 e 1:4. Fé que produz obra, amor que produz trabalho, e a fé e o amor crescendo.
Para entender o serviço: Atos 6:1 a 6:4, a distribuição diária às viúvas, e Romanos 12:7.
Para ver a fórmula “o último e o primeiro”: Rute 3:10 pelo lado bom, Mateus 12:45 e 2 Pedro 2:20 pelo lado ruim.
Para ver como Jesus mede: Marcos 12:41 a 12:44 e Lucas 21:1 a 21:4, a viúva e as duas moedas.
Para ver o resto da carta: Apocalipse 2:20 a 2:29, incluindo a promessa ao vencedor, que retoma o Salmo 2.
✦Fontes e referências deste estudo
- Texto bíblico: Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferida versículo a versículo.
- Grego do Novo Testamento: edição Nestle e numeração Strong para érga (G2041), agápē (G26), pístis (G4102), diakonía (G1248), hypomonḗ (G5281) e makrothymía (G3115).
- Sobre a ordem das palavras: as edições modernas do texto grego trazem amor, fé, serviço; o Texto Recebido (Stephanus 1550, Scrivener 1894) traz amor, serviço, fé. A ARA e a NVI seguem as primeiras; a ARC e a ACF, o segundo.
- Sobre pístis: o léxico de Thayer registra os dois sentidos, crer e ser fiel, e classifica esta ocorrência no primeiro; Barnes e Gill leem como fidelidade.
- Sobre hypomonḗ e makrothymía: a distinção clássica está em Trench (Sinônimos do Novo Testamento) e em Lightfoot (sobre Colossenses 1:11), e vale de modo geral, não como regra sem exceção.
- Sobre “mais numerosas”: o manual de tradução das Sociedades Bíblicas Unidas (Bratcher e Hatton) lê como quantidade; o Pulpit Commentary lê como valor; Ellicott e Gill juntam as duas.
- Sobre o contraste com Éfeso: Cambridge Bible for Schools and Colleges, Expositor’s Greek Testament e Jamieson-Fausset-Brown, ao pé de Apocalipse 2:19. Em português, Hernandes Dias Lopes.
- Sobre o serviço como assistência aos pobres: comentário dos Professores de Salamanca (BAC).
- Tiatira e suas associações de ofício: inscrições antigas encontradas na cidade documentam trabalhadores de lã, linho, vestuário, tinturaria, couro, cerâmica, padaria, comércio e bronze (William Ramsay, The Letters to the Seven Churches of Asia, 1904). Sobre a tinturaria, o registro epigráfico de Tiatira usa o termo geral “tintureiros”.
✦Para refletir
1. Se Jesus comparasse hoje o seu começo com o seu agora, o que Ele diria que aumentou?
2. Qual serviço seu ninguém viu nesta semana, e como muda saber que Ele viu?
3. Com quem você tem se comparado, e o que essa comparação tem produzido em você?
✦Minhas anotações
✦Minha oração
✦No próximo estudo
Depois de uma lista tão generosa, a carta muda de direção. O versículo 20 começa assim: “Tenho, porém, contra ti…”. E o problema vem ligado a uma mulher que Jesus chama de Jezabel.
Por que esse nome? Quem foi Jezabel no Antigo Testamento, e por que usar o nome dela para descrever alguém em Tiatira? O que exatamente aquela igreja estava tolerando? E por que Jesus não acusa a igreja de ensinar o erro, mas de suportá-lo?
Continue com a gente nesta caminhada de 404 dias.
E continue caminhando comigo, um versículo de cada vez.
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